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Agora aqui, ao som do piano do vizinho, que por sinal toca bem. Não há duvida de quando nos sentimos em harmonia o universo colabora. Ontem caminhei por Lisboa o dia todo. Como tinha tempo entre cada compromisso, desloquei-me a pé. E como eu adoro caminhar. Andar sozinha deixa-me mais atenta, desperta com o que me rodeia, reparei que as dezenas de pessoas que me fui cruzando, provoquei um sorriso nelas assim como elas me deixaram a sorrir. Em situações diversas vou apercebendo-me que os portugueses estão mais soltos, mais orgulhosos de si. Uma brincadeira na papelaria, relativa ao euromilhões, uma distracção engraçada do empregado do café, um encontrão frontal com um individuo no Marques de Pombal, o tropeção no degrau e alguém que diz algo dando conforto e graça, a simpatia do rapaz da Fnac, as palavras, as atitudes, os pequenos gestos que fazem a diferença... á medida que ia chegando ao centro da cidade, um espanhol a falar ao telefone, um grupo de italianos que descem a rua Garrett, mais uns quantos espanhóis, e outros italianos, e franceses, ouve-se a falar brasileiro, inglês e diversas línguas. Conversas que se cruzam no ar, pelo telefone, na rua, ao passar por elas, as que ficam no ouvido “ tenho saudades tuas”....” onde estás?”"estou aquse a chegar" e gargalhadas no ar... ah é sexta feira pois é...
Esta cidade esta animada.
Hoje enquanto circulava pelas ruas e pelo metro da cidade, eu ficava atenta aos sincronismos, lia atentamente todos os escritos e mensagens nas paredes não há um caminho para a felicidade, a felicidade é o caminho , procura-me, you, power to you, love , João quer Cristina.... Uma mulher vai a falar sozinha, eu sorrio, ela dirige-se a mim e comenta ”olha esta maluca, vais te a rir sozinha...”, continuei e ainda me ri mais afinal qual das duas é que é a doida? Ela que não se cala e fala para as paredes, ou eu que caminho de sorriso nos lábios, ou as duas, ou nenhuma de nós?.... Umas crianças no metro, que o irmão mais velho (uns quatro anos, quer levar o de dois ao colo), mais outros miúdos que correm a festejar o dia das bruxas , de vassouras nas mãos, chapéus de papelão...enfim , isto é viver, comunicar com os outros, entrar em sintonia, não ignorar os gestos, estar disponível, não nos fecharmos para o mundo, fazer algo mais..
Lisboa tem isso, pode ser devagar, mas é tranquila, há paz.











