
É tudo isso. Por vezes mais forte uma que outra, ás vezes são mesmo todas ao mesmo tempo.
Há quem diga que tenho tido muitos azares, ou pouca sorte. Não é mentira. Não sei se por me agarrar aos sonhos e querer viver o momento. Se por continuar demasiado ingénua e acreditar demais nos outros. Se por me fazer de estúpida quando não quero ver, ou ser mesmo estúpida por não ver. O que é certo é que as desilusões estão sempre a bater à porta. Já percebi que não estou vacinada para as evitar. Talvez precise mesmo desses reforços da vacina para que chegue o dia em que esteja imune. Não, estaria a iludir-me novamente se acreditasse que assim fosse.
Quando penso, que tudo o que de mau, de nada bom me acontece, não penso em azar. Penso sempre em sorte. Penso e acredito que as coisas têm uma razão de serem. Olho para trás, para a minha vida que foi até aqui. Já sofri? já, muito. Já passei por muito. Mas talvez, por me comparar sempre com situações alheias que saõ bem piores que a minha. Mas sinceramente, olhando para trás, só me lembro das coisas boas. As outras, não as esqueci. Estão lá , como um manto, como momentos que tiveram a sua importância e o seu destaque. Quando espremo o sumo, o que sai é o liquido do que foi bom. Como um filtro, o que não presta fica atulhado e pronto para a reciclagem. A minha atitude tão optimista e positiva por tudo, faz com que me sinta leve, depois de passar e viver todos os acontecimentos (des)agradáveis intensamente . Também me leva a crer que talvez esteja a atirar areia constantemente para os meus olhos, e viver assim numa cegueira, uma visão turva, uma neblina. Acho que o mais importante é que, em cada situação tiremos alguma lição. Nem que seja, a de realizarmos que por vezes, tivemos alguma culpa. Deixámos que determinada coisa acontecesse, mesmo quando só chegamos a essa conclusão tarde de mais. Mas, por mim, quero continuar assim. Quer dizer, preferia ficar só com a sorte, dispensar assim os tais azares que antecedem ou sucedem essa sorte. Mas querer, todos nós queremos. E viver é mesmo isso, é não ter medo de andar para a frente.
Eu acredito que tenho mais sorte que azar, espero que assim seja e não seja eu mais uma vez a iludir-me.