Friday, February 29, 2008

Shanghai#23

(esta era a anterior...mais distante, mas muito tranquila também.)


Novo plano de acção. Mudei de casa outra vez. Deixei a outra e vim de novo para o coração da cidade.Perto do estudio, e da galeria.Vou trabalhar entre o estudio e a residencia..parece que até domingo....
o motorista sempre que me vai buscar e me vê cheia de malas, já se ri, aliás rimo-nos os dois.Pergunta-me e para onde vais desta vez? É que realmente já começa a ser engraçado, a ter a sua piada. Sempre tive este lema, "mais vale rir que chorar".
E como eu própria passo o tempo a alterar os planos, não estava era à espera desta, que cada um de nós esteja sempre a alterá-los.. por isso..é uma comédia!!!!

Thursday, February 28, 2008

Shanghai#22

working at the studio....and, on my way to the restroom....






Tuesday, February 26, 2008

Shanghai#21


Não tenho tempo para descrever como tenho e o que se tem passado nestes dias. Eles atropelam-se com as noites, tornando-os infindáveis e a mim alienada. Não sei ás quantas ando, que dia do mes, que dia da semana. Desde manhã bem cedo a trabalhar até as 4 da madrugada já a alguns dias. Ontem foi o desespero, bebi um café que me tirou a tranquilidade. Quando chego a esta fase do processo do trabalho, começam as minhas duvidas, as minhas crises, as minhas mágoas, as minhas criticas, as minhas inseguranças e acho que tudo o que faço é uma merda. O desespero é quando percebo que se o que estou a fazer não presta e, não sei fazer outra coisa. A minha auto-critica e perfeccionismo tiram-me a força, deitam-me a baixo, fico frustrada, arrasada. A minha energia pesada esta a atrair o meu pessimismo. Enquanto oiço gritos profundos de aflição e os pensamentos atropelam-se em sobressalto,com as palavras de Pessoa a ganharem força ;
"Não sou nada
Nunca serei nada
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Estou hoje vencido, como soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer."

respiro bem fundo, fecho os olhos e oiço o Marley a cantar na minha cabeça bem lá ao longe, "no, women no cry......" .." every little think is gonna be alright..."

Era uma da manhã e fui fazer uma massagem ao corpo todo, ao lado do estúdio. Estava a precisar desde sexta –feira. Amei, saí de lá com outra energia. É mais uma das coisas maravilhosas da Ásia, as massagens sem marcação, óptimas a baixo custo e espalhadas por todo o lado.

E no carrossel das minhas emoções , dou por mim entre a escuridão, a luz que brilha do alto, o fogo de artificio e a aragem serena.
O que eu nunca vou querer é perder esta capacidade que vou tendo de ver o mundo com cor e a facilidade de passar do choro ao riso.

Sunday, February 24, 2008

Ando com uma carga electrica superior a 2.000 ou 5.000 volts, bonito..

Electricidade Estática:

Tempo seco aumenta "choques" entre pessoas e materiais ,por isso não compreendo porque é que mesmo a chover ou a nevar sem parar, já tenho medo de tocar nos outros e de abrir e fechar portas..

- A electricidade estática dos corpos, que produz às vezes "choques eléctricos" quando duas pessoas se cumprimentam ou se toca num carro ou noutras superfícies metálicas.O físico Carlos Fiolhais explicou à agência Lusa que a justificação para a ocorrência de mais choques deste tipo é o ar seco, que é isolador, e não deixa que as descargas eléctricas se façam de forma contínua.(sim, mas aqui está húmido)... Os choques causados pela electricidade estática - carga eléctrica, positiva ou negativa, que todos os materiais e pessoas possuem - são habituais e resultam do contacto entre cargas diferentes.
Só que com o isolamento as pessoas concentram em si mais energia e quando tocam noutra ou em algum outro material, com carga eléctrica diferente, a descarga é maior e, por isso, mais sentida.
Pelo contrário, quando o tempo está mais húmido, devido à presença de água na atmosfera, as descargas acontecem com mais regularidade e, por isso, são menos notadas.(continuo a notar em cada dia, várias vezes ao dia)
A humidade no ar facilita a passagem de electricidade, dado que a água é boa condutora, acrescentou o cientista Carlos Fiolhais.
Para uma pessoa sentir um choque é preciso ter acumulada uma carga eléctrica superior a 2.000 ou 5.000 volts, embora com uma intensidade muito baixa, dependendo este valor de caso para caso.(o meu irmão sempre disse que eu era eléctrica)
Apesar de parecer muita tensão, estes choques são inofensivos "uma vez que são quase instantâneos e não deixam efeitos", (inofensivos sim, mas sentidos também!)de acordo com o físico contactado pela Lusa.

"ERA - Intersection of Time"




"Just like Shanghai , ERA evolves through a constant collision between the past and the future"



"ERA is a love story, yet it is also a contemplation across the millennia, a fascination with that other dimension man has yet to conquer: time. ERA's acrobats are on a quest to find that tenuous point of balance, the intersection between X, Y and Z.
As such, ERA can remain universal, without language or cultural barriers. A thousand-year-old gesture is worth a thousand emotions, a thousand images, a thousand words ……"

Estas palavras em cima explicam muito do meu estado neste dia.O resultado de muitos dias neste estado emocional, a colisão entre o passado e o futuro, a dimensão do tempo, a questão do equilíbrio a intersecção entre o todo. O universal, a comunicação, as emoções, as imagens, as palavras, as vivencias, a mudança, as muitas mudanças......
Encontramo-nos com mais pessoas antes do circo, fomos jantar. Praticamente não jantei. Estava sem paciência para conversas e para conhecer mais pessoas, e falar de mim e do meu trabalho. Quando comecei a servir-me, porque estive a falar a maior parte do tempo enquanto os outros iam comendo, chegou a hora de começar o circo e fomos a correr.. Sentei-me e percebi como estava a chegar ao meu limite, de cansaço, falta de horas de sono, de tantas mudanças, de tanto peso de um lado para o outro.

O espectáculo começou, e nesse instante começaram a cair-me lágrimas na face, não não era comovente, nem deprimente, mas dei por mim finalmente parada e a cabeça sem andar as voltas. Tomei consciência do meu estado emocional. Durante a primeira hora, até ao intervalo não parei de chorar. Enquanto vivia aquela dimensão, algo de mim estava a querer repor-se, livra-se. Foi como uma terapia, não me tinha apercebido do meu estado até aquele momento. Percebi que tinha urgentemente que descansar, estava a ficar deprimida.
A segunda parte do espectáculo, cheia de fantasia, queria entrar para o mundo do Robin dos bosques, chegar ao planeta das fadas, flutuar na terra do encantamento e, lembrei-me de quando era criança sempre que ia ao circo sonhava em ser acrobata quando crescesse.
No fim saí mais leve , mais serena, de sorriso nos lábios.

Apesar de muito trabalho, de muito cansaço, de muitas mudanças, de muitas deslocações, de muita instabilidade, I LOVE SHANGHAI!

Shanghai#20



As minhas aventuras continuam. Passei a manha irritada comigo. De fronteira em fronteira,põe mochilas, tira mochilas, entra no carro, sai do carro, tira mochilas põe mochilas,anda a pé, entra no barco tira as mochilas, dormir, chegar , acordar, põe mochilas, passa fronteira, tira mochilas, põe mochilas, auto-carro, tiras as mochilas, chegada ao aeroporto de Shenzhen, põe mochilas, checkin, tira mochilas..que merda!! nunca mais volto a fazer este disparate. Eu peso 53kg e tenho pouco mais de metro e meio de altura. O meu corpinho a carregar uma mochila de 78 cm a pesar 24kg de material, mais na parte da frente a carregar uma outra mochila de 10kg de peso em equipamento electrónico, mais a minha carteira de 6 kg ao ombro carregada de documentação, livros e diários de bordo, façam as contas!!!O volume em bagagem era maior do que o meu corpo, e o peso quase que chegava ao meu peso. Estava de língua de fora, irritada, a sentir-me ridícula e com os ombros e as costas a reclamarem, o meu coração disparava, proclamava ' quero descanso !'.
No check-in, quando vi o peso na balança assustei-me, vá lá não disseram nada, mas quando a mochila passou no RX chamaram-me lá para dentro. Quiseram revistar a mala toda, que merda merda merda!! Cheia de roupa em cima de mim, porque apesar do calor no sul, estava equipada para chegar ao frio de Xangai. Comecei a tirar dificilmente as coisas da mochila, estava tudo tão apertado e tão bem empacotado, cada vez ficava mais furiosa e transpirava, transpirava cada vez mais. Quiseram fazer testes com as tintas, depois com a cola, entretanto o meu frasco de compota de abóbora que a Nitz me tinha feito com todo o carinho, caiu ao chão e partiu-se. O segurança olhava para mim com um ar desconfiado, 'ah ah, acho que temos aqui uma potencial bombista'....bom não testou todas as tintas, visto ter uns quinze frascos grandes. Depois de fazer lá uns testes com algumas, realizou que aquilo era material, era tinta, nada mais. O que é certo é que se tivesse más intenções, entre aqueles frascos, como não testaram todos , podia ter um que fosse explosivo. Por isso, apesar de andarem muito atentos, penso que pode sempre escapar qualquer coisa.
Assim como na minha bagagem de mão, reparei depois , tinha mais que as 100g em líquidos e cremes autorizados. Mesmo assim, ninguém fez caso disso.
Ao principio achava graça com as minhas descargas eléctricas nos outros. Como por exemplo, quando estou a dar dinheiro ao taxista e a minha mão dá um choque na dele, assustado, claro, riso meio atrapalhado e recolhe a mão rapidamente enquanto olha para mim 'Ahíiah'. Em muitas outras situações, quando estou a entregar um documento, papel ou outra coisa a alguém lá dou mais uma descarga, afastam-se riem-se e despacham-me com uma rapidez, estilo epá foge para lá. Nos aeroportos a mesma coisa, enquanto subo para o 'pódio', passam com a maquineta dos metais, o que acontece sempre, não há uma única vez que não apite, a mulher levantou-me ligeiramente a camisola para ver o que estava a apitar, quando me tocou ligeiramente na barriga, teve um choque que até faísca e barulho fizeram, riu-se, afastou-se a enquanto olhava para mim, riu-se comentou qualquer coisa com as colegas e fez sinal para seguir, vai vai....
Mais duas horas a dormir no avião. Acordei no momento da aterragem com um solavanco que me assustou porque bati com a cabeça na janela.

Recebi uma chamada enquanto estava a sair do avião, a pedirem desculpas porque estavam atrasados para me irem buscar."estás muito carregada? porque se calhar...."
"estou, estou demasiado carregada, e não vou carregar este peso em cima de mim nem mais um metro, eu espero o tempo que for preciso..."

directamente para o circo, o carro ficou mal estacionado num sitio suspeito, escuro e com pouco movimento. A stressar, mas sem querer stressar os outros, estava deveras nervosa...com a quantidade de material que tinha no porta-bagagens. Com o computador e tudo o que ele guarda, por instantes comecei a entrar em pânico, a imaginar se me roubassem as malas, para alem do valor material, que esta ali muito investimento e quando eles me disseram, não te preocupes, o seguro cobre tudo, "hey, e o meu esforço, dedicação de anos de trabalho, todos os trabalhos , as impressões, todas as memorias registadas nas milhentas fotos que estão só ali?!"
"mas tens backup com certeza "......"ya, está lá dentro da mochila também"...passado uma hora foram mudar o carro do lugar para um mais seguro.
É que lembro-me bem, cerca de dois três anos atrás , fui com a Luanha até ao Porto, a João foi-nos buscar à estacão. Mochilas para a bagageira, fomos jantar e beber uns copos, quando regressamos ao jipe, simplesmente estava vazio, tinha desaparecido tudo.
já conto o episódio do circo não tarda... comecei a perceber que estava a chegar a um limite de cansaço...

Friday, February 22, 2008

Ready to take off



Mais uma vez de directa antes da viagem. Só te pensar que vou directa do aeroporto para o circo.....depois conto, isto é, se não adormecer no meio do espectáculo.

Thursday, February 21, 2008

Macau - Foi bom sentir-te outra vez





Que bom que foi não sentir frio e até sentir calor.
Quando se está muito tempo sem se sair de Macau chegamos a uma altura em que sentimos claustrofobia, por ser demasiado pequeno, por se ter a noção que se anda ás voltas e que curva mais curva menos curva todos os sítios vão dar ao mesmo. Mas por ser pequeno e acolhedor faz também com que nos sintamos muito bem. É prático, é tranquilo, é seguro, mais fácil e, encontramos um mundo num espaço tão pequeno. O facto de poder andar a pé e de poder regressar atrás sempre que me esqueci de alguma coisa torna qualquer dia muito mais simples e leve.
Depois por já conhecer os cantos à casa, circulo e oriento-me com mais facilidade que quando não se conhece (óbvio mas sentido).
O meu tempo por agora terminou aqui e lá vou eu regressar à cidade das grandes mudanças e de muitas aventuras.

Qual é o teu perfil espiritual?

[mais um teste da brincadeira...]
o meu resultado:

Filho da Deusa
Sua religião é o planeta Terra, e sua igreja é a Natureza.Com fortes influências pagãs e também do movimento New Age, voçe talvez seja um wiccano. enxerga o divino na teia da vida que une a todos nós e trata com respeito e reverência todas as coisas vivas, manifestações da divindade. Sua maneira de conexãõ com Deus/Deusa talvez seja solitária, mas voçê sabe dar o devido valor aos rituais e celebrações comunitárias.
Zen Master
Você tem afinidades com o budismo ou o hinduísmo. Mas pode ser também que tenha influências do movimento New Age, ou até mesmo das doutrinas espíritas. Ficar longe de dogmas é seu objetivo, e você se dá melhor em religiões que estimulam a independência. Ou em religião nenhuma: talvez você prefira cultivar a sua espiritualidade sem se fechar em denominações, pescando um pouco daqui e um pouco dali até achar sua própria conexão com a Energia Universal. Nos vemos na próxima encarnação. Namastê!

Vidas Passadas

[nem mais..fizeram-me este teste por brincadeira na internet e o resultado esta aqui: Uma Tuaregue, pelos vistos a alcunha que me deram nesta vida, já tinha um fundamento.....ehehe]



Olá rita,
Na sua outra vida, você era um tuaregue nômade que nasceu no ano de 1372 d.C. na região onde hoje fica a Nigéria.

COMO VOCÊ ERA?

Viajante pela região dos desertos, apenas quando adulto fora para a cidade à procura de melhores condições de vida. Inconformado, impetuoso e sempre em busca de melhores oportunidades, tinha sangue de comerciante e mentalidade de empreendedor. Misterioso no campo amoroso, apaixonava-se por muitas mulheres, mas nunca conseguiu se prender a nenhuma delas.

QUAL LIÇÃO DO PASSADO VOCÊ PRECISA TRAZER PARA O PRESENTE?
Orgulhoso e independente, você nunca deixou que as mensagens negativas o fizessem desistir de buscar seus sonhos, mantendo-se sempre distante do abuso do poder e da injustiça. No amor, contudo, você descobriu que se prender a uma pessoa e construir projetos junto a ela não pode ser tão ruim. Muito pelo contrário.

Wednesday, February 20, 2008

relembrando...


Recuperei estas imagens que me fizeram lembrar o frio que ainda não esqueci. Quando chegava a casa, ficava literalmente entranhada no aquecedor, para além dos milhentos trapos que me cobriam.

Chinese New Year-Shanghai

Fogo contagiante que me aqueceu durante algum tempo.

Fireworks on New Year's Eve at M on the Bund, Shanghai

Como prometido aqui vão os filmes do ano novo chinês. A qualidade é péssima, mas ficam com uma ideia de como estava a cidade durante esses dias.

Estar aqui..
















Quando percebi que tinha que vir até Macau, não me agradou muito. Interromper o ritmo que estava a conquistar, numa altura crucial, com muito trabalho para ser feito. Mas quando tomei a decisão começou-me a agradar a ideia. Pensar que vinha ver alguns amigos, que ia estar no conforto da minha casinha(que também não é minha),com os miminhos da familia,comer bem, dormir e tratar de assuntos pendentes. Pois algumas estão a ser possíveis, mas descansar não sei quando vai acontecer. Desde que cheguei ainda não parei, o tempo está sempre mais que contado, assim como para dormir...
Definitivamente Macau é minha casa. É sempre bom cá voltar, circular pelo espaço que me é familiar, sentir os cheiros, os sons mais que característicos de determinados lugares.
Aqui, ando sem casaco, sem, gorro, sem luvas, mais leve. Quentinho e sol, também as distancias, é tudo já ali ao lado...
Enquanto caminhava cruzei-me por muitas vezes com pessoas que íam a falar português. O taxista deixou-me com um "obrigado".

Tudo é relativo, já sabemos nós. Mas mesmo sabendo disso, estou sempre a surpreender-me.Depois de estar a viver muito tempo com os Euros e perceber que a vida na Europa é bem cara. Quando regressei a Macau achava tudo baratissimo. Quando começei a aventurar-me pela China achava que era quase tudo de borla.
Agora após um mês de lá estar, fico estupefacta com o dinheiro que já gastei. Chego a Macau e passo-me com os preços de cá, acho tudo carissimo, comparativamente com a China. Paguei de taxi das docas até casa, diga-se que costumo fazer esse
trajecto a pé demorando uns 10 minutos. Ontem estava sem energia e paguei pelo táxi o mesmo que pago em Xangai para fazer 25 km. Valor que enquanto acabada de chegar àquela cidade considerava ser nada, e agora com o passar do tempo já mudei a minha opinião.
Sem falar dos restaurantes, diferença qualidade/preço entre Portugal, Macau e Xangai.

Tuesday, February 19, 2008

Se tivesses que escolher, qual escolherias ser?


Não deve ser fácil, nem para um nem para outro. Nunca é fácil, ser-se demasiado grande ou demasiado pequeno, ser-se demasiado rápido ou demasiado lento, ser-se demasiado inteligente ou demasiado burro, o demasiado já diz quase tudo...

olhando bem para as dimensções:
2,36m- é altura de muitos pés-direito, ter que andar sempre marreco para poder estar ao nivel da média, para não bater com a cabeça em tudo o que não foi pensado para pessoas com esta altura, ter que viajar sentado num autocarro, ou carro, ou avião, por tudo isso e muito mais, não deve ser uma vida fácil não..

0,74m-é um pouco maior que a minha régua de 60cm, é o comprimento da minha mochila de viagens longas. A vantagem de caber numa mala parece porreiro , mas a ideia de ser tamanho porta-chaves, de nunca se chegar a lado nenhum, de ter que andar com um mini-trampolim para saltar para os degraus, ou para uma cadeira, ou uma cama, ou para dentro de um autocarro deve ser desesperante, e ainda o perigo de se ser constantemente atropelado, e até pisado, e de passar o tempo a cruzar-se não com caras mas sim com joelhos...

Bom se tivesse mesmo que escolher, nao saberia mesmo qual escolheria...

Ida ate Macau


O Zhang levou-me ao aeroporto. Foi mais rápido do que esperávamos,por mais incrível que pareça, não apanhámos transito. Em uma hora estava no aeroporto.

No caminho pensei, se estivesse a deixar de vez esta cidade, neste momento estaria muito angustiada. Ainda não chegou a hora, ainda não cumpri a minha missão. Com três horas de sono, lá fui eu dormindo aos soluços.
O aeroporto estava deserto. No avião deviamos ser uns vinte...

No avião dormia profundamente, quando ouvi o toque do sinal dos cintos de segurança, achei que era o meu despertador, baralhada, ainda de olhos fechados, queria-me situar, lembrar o que tinha para fazer, em que quarto estava, ah estou no ar...

Abri os olhos e já estávamos a aterrar, olhei pela janela e lá estava o sol a romper a bruma enquanto reflectia no delta do rio das pérolas.

Saturday, February 16, 2008

Shanghai#19



Neste dia estava difícil a escolha, vamos no meu carro ou vamos no teu?
Acabamos por ir cada uma no seu!

Shanghai#18



Temos mesmo formas diferentes de pensar. No outro dia, com pó branco (gesso) numa caixinha e um pedaço do molde em gesso(gesso duro, depois da mistura feita), perguntava a todos os empregados do mega estabelecimento de materiais de construção. Imaginem gesso, ok, o primeiro diz logo que sim e mostra-me um berbequim, o segundo diz logo que sim e leva-me para a secção das tintas e pergunta que cores quero, o terceiro leva-me para a zona dos aspiradores, Camo'on, dahhh!!! Finalmente perceberam, quando por mímica expliquei um braço ou uma perna partida e depois o que se usa para endireitar? GESSO. Finalmente perceberam e não tinham, perguntei onde podia arranjar. Deram-me um numero de telefone.
Liguei, esse numero era nada mais nada menos que o numero das informações, para pedir telefones ou moradas quando se tem um deles..DAHHHHHHHHHHHH, eu não tinha nenhum dos dois, isso era o que eu queria, ter pelo menos uma das informações...isto é apenas um pequeno exemplo dos muitos 'lost in translation' que se vai vivendo por estas bandas.

SHanghai#17





Nos arredores de Xangai, onde não se vê nenhum estrangeiro, caminhava, queria um sitio para comer bem. Olham para mim como se fosse uma ave rara. A comunicação com alguns é extremamente difícil, falo em bugalhos e eles em aviões. É sempre assim, quando começo a ver os menus intermináveis com fotografias dos pratos, não consigo ficar só num ou dois, peço logo uns quatro ou cinco, é sempre uma desilusão tão grande. Fico tão agoniada só de ver algumas das especialidades e o que penso ser bom afinal também me enjoa, sabe tudo a perfume, a gordura, a estômago ou tripas sei lá do quê. Metade, mais de metade fica no mesmo sitio. Saudades da comida chinesa de Macau!

Shanghai#16


A Matilde chegou!




Depois do jantar de dinamarqueses no restaurante AMOKKA, uma reunião de cerca de 30, foi a vez da reunião de portugueses pela noite dentro. Primeiro no Sugar, muito 'cozy', musica e ambiente muito 'cool'. De seguida no Shelton, bar bastante 'underground' foi noite de hip hop à grande. Seguimos para o Mao, grande som. Já não estava com tantos portugueses há um mês, deu para matar saudades da nossa bela língua.
Saímos do Mao e ainda fomos parar ao Dragon.



Quando a Matilde chegou perguntou-me, bem já estás toda 'socialize' estou a ver, já dominas o meio, sais e encontras pessoas conhecidas em todo lado? ri-me e disse-lhe que nem pensar nisso.
Mas engraçado é que esta noite, em cada bar que passava encontrava uma ou mais pessoas conhecidas. Assim como andar na rua e cruzar-me com alguém conhecido. Faz com que já me comece a sentir em casa, "Rita!", "hey Rita"...pois, já que não tenho casa fixa, faço desta cidade a minha casa.
A noite acabou quando começou o dia, a comermos a pasta italiana confeccionada pelo italiano Andrea.

Enquanto a Matilde trazia a cor e o calor de África eu absorvi a neve na minha pela como se pode verificar aqui.



Não percebo, mas aqui nos bares têm um truque. Não podemos largar a nossa bebida. Mesmo que ela esteja completamente cheia, assim que viramos as costas eles levam-nas. As primeiras vezes não liguei, até que me comecei a passar, as bebidas não são propriamente baratas e para além do mais acabamos por beber mais, porque temos que estar sempre a pedir outra sem nunca acabarmos nenhuma. Por isso, as primeiras vezes que ia reclamar ignoravam-me sempre, um dia irritei-me a serio e supliquei para falar com o gerente. Expliquei o sucedido e indignada exigi bebidas novas para aquela mesa, porque não tinha sido só a minha a desaparecer. Dito e feito. Bebidas novas. A partir desse momento, já perdi a conta das vezes que ando à procura do gerente. Ontem uma das empregadas entornou-me o copo cheio e foi-se embora como se não fosse nada com ela. Nem cheguei a provar a bebida. Fui atrás dela, quis ignorar-me o tempo todo, andava a fugir de mim e disse-me que não fazia ideia onde estava o gerente. Passei-me, não percebia porque não simplificava as coisas e estava a mentir a dizer que não tinha nada a ver com o assunto. Quando lhe disse que ia fazer queixa dela suplicou-me"please no, they will kill me". Bolas estava difícil perceber onde estava o problema dela em continuar o seu mau serviço, deixei a rapariga e fui falar com o gerente que me deu uma nova bebida, furioso queria saber quem era ela, menti-lhe ao dizer que não fazia ideia, mas confessei-lhe que a rapariga estava em pânico que a despedissem e que deviam ser mais flexíveis.

Por vezes tenho uma vontade louca de atacar malaguetas, começo a comer como quem come amendoins. Quanto mais como, mais a arder fico e mais quero. Adoro quando alguém vê e quer fazer o mesmo, dá uma trinca na primeira malagueta e de seguida grita, cospe, chora, bebe água, eu solto uma gargalhada. Foi o que aconteceu nesta manhã.Bem que me avisam para parar, pois no dia seguinte eu é que não rio mais, todos sabem o que acontece quando se abusa do piripiri.

Assim como, nos dias de ressaca gosto de comer vegetais sem parar, dar trincas em gengibre cru, se não me vou encontrar com ninguém até alho cru gosto de comer