Perhaps Astrid Hadad's performance is best described as "one of the most provocative stage acts since the Weimar Republic was in bloom" (New York Times).

Foi rir do principio ao fim. Esta mulher é completamente fora, é de mais!! Admirei o facto de ela fazer do palco a sua casa. Completamente à vontade, faz e diz o que quer e bem lhe apetece. Sem receios nem preconceitos, esta artista cheia de atitude segura e provocativa, de um humor irónico diz muito em frases curtas , cenários kitsch e bizarros. É completamente surreal.
Com o seu cabaret latino e surreal onde a teatral diva nos canta poemas corrosivos que parecem mais próprios para uma banda de rock do que para um mariachi, Astrid Hadad tece uma delicada teia de cumplicidade com o público, apresentando um espectáculo completamente singular. Tão singular até que apenas ela o consegue definir: " Para mim é cabaret. é um estilo sincrético, estético, patético e diurético que mostra sem qualquer pudor as atitudes de machismo, masoquismo, niilismo e de " estou-me nas tintas " inerentes a todas as culturas "
" (Hadad) canta sobre o amor louco, o amor perdido e o amor impossível, com uma voz a prometer uma sinceridade ardente, enquanto que as suas atitudes e guarda-roupa transmitem uma ironia consciente. "
New York Times
"...é indubitavelmente das mais sugestivas e alucinantes criações artísticas a saírem no México na última década. Se não, tomemos, por exemplo, a sua música vibrante, que ela define como " Heavy Nopal " . Inspirada na tradição das rancheras, rumbas e dos mariachis, ela decidiu criar uma mistura destes géneros musicais, adicionando ainda um pouco de bolero, mambo, cha cha cha, música cubana, samba, fado, rock, jazz, e praticamente tudo o que passar pela frente... Claro está esta inusitada mistela musical, com o picante mexicano a arder-nos nos ouvidos, não só pica e espicaça, como espanta e surpreende, dando-nos a volta aos sentidos com uma mudança repentina de uma rumba para rock ou uma balada à Frank Sinatra. A amálgama de culturas musicais é posta em prática pela ampla e determinada voz mezzo de Astrid Hadad, que vibra energicamente, e pelos seus cinco hercúleos músicos - não é por nada que se chamam " Los Tarzanes " que tocam guitarras eléctrica e " vihuela " , baixo, teclas, saxofone, flauta, acordeão e, como não podia deixar de ser, congas e bongo.
" Slot machine " surrealista
Esta ranchera pós-moderna é ainda a encenadora dos seus espectáculos, num forte aparato visual recheado das suas alucinantes criações artísticas- os seus " cenários móveis " , na definição da própria. A lista de adereços e vestuário é infindável, mas em Macau é bem possível que Astrid Hadad apareça no palco a usar algo deste género: um tutu e preservativos a fazer de balões pendurados num pau; um jardim, que ela vai regando à medida que canta; um sombrero que carrega margaritas, penas ou confetti; um chapéu à estátua da Liberdade, e uma lanterna no lugar da tocha; um luminoso coração intermitente e sangrante preso à cabeça ou um vestido mexicano tradicional de cabedal atravessado por correntes e tachões. No meio de tal panóplia de adereços uma coisa é quase certa: Hadad vai sacar do seu extenso guarda-roupa um fato especial para o concerto em Macau- a " slot machine " surrealista?
Neste universo " kitsch " , a invulgar diva incorpora muito da estética mexicana, como a dos pintores Frida Kahlo e Diego Rivera. Os motivos religiosos, como o coração sangrante ou a Virgem de Guadalupe, são lembranças do seu México, onde cresceu no meio de uma rigidez católica que habita paredes meias com uma intensa profusão de cor. A maquilhagem carregada e a forma como se pinta, por outro lado, estão ligadas ao Expressionismo alemão, conhecimento que vem da sua formação em teatro. Após se ter licenciado pelo Centro Universitário de Teatro do México, esta mexicana com sangue libanês começou a investigar sobre o cabaret até se decidir por misturar as antigas carpas mexicanas ?lugares onde comediantes ironicamente discutiam política ?com o cabaret de Bertolt Brecht. A esta " mistela " juntou uma pitada da estética dos filmes de rancheras, um cheirinho da era dourada do cinema mexicano e " voilá " , a?nascia uma iconoclasta.
EUA, " o monstro preferido "
Apesar de tão audaciosa mistura de tradição mexicana e modernidade, no início Astrid Hadad não foi muito bem aceite na sua terra natal. " Tive de me exportar a mim própria para poder ser importada pelo México " , brinca. Agora actua regularmente nos principais teatros do país, e faz digressões por toda a América latina, Europa e Estados Unidos, embora d?ao último a alcunha de " monstro preferido " . Esta filósofa do cabaret, que em tempos foi estudante de Ciências Sociais e Políticas, apimenta sempre os seus concertos com doses generosas de crítica política, e o seu humor irreverente e mordaz fez dela um símbolo da comédia irónica dos tempos modernos.
Nesta sátira política Hadad sarcasticamente critica o " establishment " , seja na forma dos lobbies políticos do México, dos Estados Unidos, dos machistas ou homofóbicos. Esta activista é também uma feminista convicta, e no palco a sua personagem representa todas as mulheres, com as suas considerações a reflectirem a luta pela independência e liberdade de expressão da mulher. Por outro lado, muito do seu insólito humor é bastante simples, e com um leve toque de sabedoria popular ;como a sua canção " corazon sangrante " , onde canta como o seu coração partido foi despedaçado, cortado, picado, esmagado, feito em puré tornado picle e mergulhado em molho piripiri. "
CCM (Centro Cultural de Macau)