Episódio 1:
Chegámos todos à salinha do destino, há cama para alguns, para outros ainda não se sabe..eu sou uma dessas, que ainda não sei onde fica o meu poiso.
Passados alguns minutos da inscrição chega a “orientadora” Susana, simpática, trata de fazer o reconhecimento do local , funcionamento, encaminha os que já têm quarto, os restantes reúnem –se no refeitório.
Cada um traz o seu acompanhante, quando chamam “Rita Costa” e de seguida “Gonçalo”, o meu acompanhante, meu pai, responde de imediato, não eu não sou o Gonçalo, eu sou acompanhante. A “orientadora”, que nestas situações são as enfermeiras, respondeu de imediato – sim meu Sr. Já entendi”. Sorri, pois àquela hora ainda estávamos cheios de sono.
O “Gonçalo” vinha acompanhado da sua mãe, ambos muito simpáticos, ela com um estilo mais de quem ía para o cabaré, cala-te boca Rita, não sejas assim...mas, botas pontiagudas em encarnado de verniz, atadas até aos joelhos, mala exactamente a condizer, cabelo amarelo oxigenado e repuxado até ao topo da cabeça num rabo de cavalo. Lenço preto às bolinhas brancas ao pescoço a terminar em laçarote, maquilhagem bem elaborada e muito pouco discreta, enfim uma figura.
Olhava para os restantes “companheiros de visita às termas”, uma Senhora com o seu saquinho dos pertences, outra, que também esperava por cama , seguimos todos naquela pequena excursão , onde o meu pai ia dizendo baixinho, “até parece que estamos de viagem, isto parece um percurso turístico”.
Episódio 2:
Depois de todas as apresentações feitas e dos esclarecimentos terminados, chegam os auxiliares que reencaminham cada um de nós ,” Rita e Gonçalo, acompanhem-me”. Lá vamos nós por aqueles corredores labirínticos intermináveis até que chegamos a um espaço que me era muito familiar, o do “RX”. Sentados nas cadeiras brancas, esforço grande para não me deixar dormir, enquanto esperamos o Gonçalo mete conversa. “Olá, és a Rita não é? Então também vens ao peneumotorax?”, respondo: não a mina situação é outra” Ele quer mostrar –me as cicatrizes dos seus antecedentes, rapaz falador e que quer companhia, conversa, rapaz curioso e simpático que continua “ a coisa boa disto é que faltamos ás aulas ehehe, também estudas ?”, alguma reticencias, estudo, mas no meu caso, não estou assim tão satisfeita em faltar e para além do mais trabalho por conta própria... Depois de “um bate papo”, tu cá tu lá o rapaz já não entende tão bem em que chão pisa e pergunta “ mas tens 19 ou 20?” e eu...”desculpa?”, sorrisinho no canto da boca e aceno com um não, ele “ahh 21, 22?” humm também não, mais uns dez... nesse momento o rapaz ainda tem tempo de dizer “ ah pensava que éramos da mesma idade” e chamam “Rita Costa” para entrar.
Episódio 3:
Fico despachada e sinto que já conheço muito bem esta casa, faço-me à vida ignorando os sinais “interdita a passagem, só pessoal de serviço”. Num dos corredores dou de caras com o auxiliar que nos tinha levado, já trazia outro “grupo”, ele olha para mim “ Rita vais sozinha? Não te perdes?”...não não, sei o caminho, já estou despachada vou andando”
Já não sei se é bom se não, esta coisa de todos me tratarem por Tu, e acharem que sou quase menor. Bom, não me ralo, façam como bem entenderem. O que é certo é que é sempre com carinho.
Episódio 4:
Regresso à sala de convívio, esperamos, todos, chega a Susana, relembra que falta ser feito o questionário e diz que eu fico para último porque há uma colega que se chama Rita Costa e faz questão de ser ela a falar comigo, duas Ritas Costas.
Episodio 5:
O Inquérito termina e claro, peço logo que me deixem sair, moro perto, tenho tempo de ir e voltar. Uma das perguntas é “como gosta de ser tratada? Pelo nome? Tem alguma alcunha?” imaginem que eu dizia , gosto que me chamem por Gata, ou por Fera, ou Plim, ou Cholé, ou Miau, ou Fuck me, whatever, será que eles faziam esse papel? Que se atreviam a chamar o que lhes pedíssemos só para nos agradarem?E assim foi, aguardei até que chamam “ Rita Costa, pode se dirigir à sua cama nº22 quarto 4.” Merda pensei eu, não gosto nada do 4, isto para os chineses não é nada bom. De seguida, Rita, não penses nisso, isso é na China , aqui é ocidente. Ok ,tranquilo, bora lá.
Episódio 6:
Este é o seu armário, e tem aqui a sua cama, Sente-se que vamos dar-he uma picadinha. Nisto a Dona Isabel, Sra. Que estava sentada ao fundo, “olá, seja bem vinda , eu sou a Isabel” e logo a Dona Júlia precipita-se “e eu sou a Júlia,” olhava para as minhas mãos como se procurasse algo, e a menina?menina..senhora...???!! “bom trate-me como gostar mais, mas menina está bem”..entretanto dei por mim no meio de umas senhoras já de idade avançada, que não falavam entre elas mas escolheram-me como centro das suas atenções. Conversei o qb, arrumei a tralha e desejei uma boa tarde e até mais logo!
Estou a aproveitar as minhas ultimas horas de liberdade.



