Thursday, April 30, 2009

Acasos das coincidências



No outro dia enquanto atravessava uma passadeira em Macau, juntamente com mais umas tantas pessoas, alguém se aproxima e pergunta "fala português?". Envolvida nos meus pensamentos demorei a perceber que se dirigia a mim. Olhei de esguelha e respondi afirmativamente sem parar o paço. Muito convicto, o homem de sotaque espanholado, diz-me me ter visto no Brasil. Achei que disse aquilo como poderia ter atirado para o ar qualquer outro sítio. Perguntou-me se estava de férias em Macau e que se lembrava de me mim de Copacabana. Continuei a caminhar, mas aí a minha curiosidade despertou ao ponto de querer mais detalhes " ah foi? Copacabana quando?"
O Estranho sem nenhumas dúvidas afirma que foi no ano passado. Continuei sem dar importância mas queria mais detalhes "no ano passado em que mês?", sem demoras e determinado respondeu "em Dezembro!", achei aquilo muito bizarro. De facto estive em Copacabana em Dezembro passado. Nisto, ele tira os óculos, olha para mim e sorri sem qualquer dúvida de que eu tinha estado lá, porque se lembrava de mim e estava quase certo " não te lembras de mim?", a minha alma estava parva, mas nunca vi aquele homem á minha frente. Disse-me que era sul americano tentou testar a minha geografia dando-me umas dicas para adivinhar qual o seu país de origem, vergonhosamente falhei depois de algumas pistas, era do Paraguai. E assim foi, virei para um lado, ele seguiu caminho.

Ainda no mesmo dia, já bem tarde, mal entro na discoteca alguém salta para cima de mim e diz "Hi ! I know you from the yoga !", fiquei estupefacta, não me lembrava nada daquela cara. Continuou, " Eu sou Brasileira , de São Paulo, você é portuguesa ?!", uau que coincidência, abreviei-lhe a minha história destes últimos meses.
Pensei, talvez seja um sinal, talvez seja um aviso de que ando demasiado centrada em mim, demasiadamente focada nos meus passos ignorando o que me rodeia.

Thursday, April 23, 2009

Sorte de principiante.




Não sou muito a favor do jogo pelo dinheiro. Mas ontem foi para aí que a noite nos levou. Sentada na mesa de jogo, a sorte esteve do meu lado e assim, vim com mais umas pataquitas no bolso.

Wednesday, April 22, 2009

É URGENTE!


Com tantas andanças mais uma vez deparo com a frase de Pessoa "Primeiro estranha-se depois entranha-se" acrescento ainda, porque além da primeira esta também me tem acontecido Primeiro entranhar e depois estranhar. Tem sido assim a minha vida nestes últimos três anos e meio. Adaptar, desadaptar, chegar, deixar, ir, vir, estou aqui, vais para onde, quando vens, quanto tempo, e agora é para onde, até quando,.... Chegou a altura, depois de ter separado e confundido de tal forma as minhas raízes, chegou a altura de as agarrar em algum lugar novamente. É urgente enraizar-me. Elas estão em banho maria, estão a germinar, falta o chão, falta a terra para se segurarem e desenvolverem. Por quanto tempo? Até quando? Onde? Para sempre? Lá? Aqui? Acolá? Ali?

Tuesday, April 21, 2009

Sunday, April 19, 2009

Sunday, April 12, 2009

Thai food


Férias são férias, por isso nestes dias o regime foi para esquecer.
A comida tailandesa é das minhas favoritas. Passo alturas em que desejo tanto poder saborear alguma destas especialidades.
Comi como se tivesse passado fome, ou que se me fosse faltar comida nos próximos dias. Papaya salad, Pad thai, Frid rice with chicken, Chicken salad, Green curry with shrimps, Red curry with..., Seafood salad , Mango with rice, Banana pancake, etc etc...eu inventava refeições só para saborear tudo isto e sempre, more spicy please...eu sei que é um descontrole um desequilibro, mas não consigo ou não quero ser tão controlada.

Thai moments



Passei o primeiro dia de Bangkok no hospital a fazer um check-up que estava marcado. Fiquei impressionada com a qualidade e eficiência, estilo luxo asiático. Nem cheiro a hospital tinha nem vestígios de decadência. Todos os serviços médicos deviam ser assim, bons equipamentos, bons médicos, bom serviço, conforto e ambiente tranquilo ao invés de agoniante como a maioria dos hospitais públicos o são, infelizmente. A maioria dos pacientes, pelo menos naquele dia, deduzo que seja assim a maior parte do tempo, provinham do Oriente Médio. Nunca tinha visto tantos trajes concentrados dessa região, tanto em homens como em mulheres. Vi uma vestimenta que nunca tinha visto antes. Uma mulher toda coberta, tinha na face uma espécie de armadura metálica, para que ninguém lhe tocasse no rosto. A primeira que vi a passar não consegui deixar de a olhar com estranheza, parecia que tinha um bigode gigante que ia desde o nariz até á boca, um bigode farfalhudo de homem diria. Afinal não era um bigode, era parte da armação, uma barra enorme metálica. Que confusão que aquilo me fez.

De seguida deu para ir a um dos meus mercados favoritos de BKK. Ainda bem que não havia nada muito atractivo e que eu estou muito mais comedida. Por isso o passeio foi curto e sinceramente queria era descansar e esticar o pernil.
Dia seguinte mudámo-nos para um Resort muito tranquilo sobre o rio.. Finalmente o sol apareceu e de que maneira. Já quase há um mês que não o via. Senti-lo foi uma delicia maravilhosa.


Domingo preparávamo-nos para sair, dar uma voltinha. Demos mas é meia voltinha para trás porque foi declarado estado de emergência pelo primeiro ministro. Os centros comerciais , lojas, restaurantes do centro, começaram todos a fechar num abrir e fechar de olhos. As pessoas recolheram-se em casa ou nos hotéis. As noticias não eram nada animadoras, menos ainda eram as imagens.
Momento de tensão geral, esperava-se que acalmasse nas horas seguintes, mas não aconteceu. Só aconteceu três dias depois.
Coincidiu mesmo com o Songkran (Ano novo tailandês), o Ministro cancelou todos os festejos.
Bom, o que é certo é que eu tinha um compromisso, encontrar a minha amiga que não via há um ano. Informei-me e estava tudo tranquilo fora do grande centro da cidade.
Mal sai da redoma, fecho os vidros do táxi, percebi que afinal estava a acontecer uma guerra, não com armas de fogo, mas sim com armas de agua e farinha. Musica nas ruas, muitos baldes de água, muita guerra de água e muita alegria. Á medida que me aproximava do local combinado, aumentava a concentração de gente em festa. Mal saio do carro, levo um banho de água, e um disparo, e outro, e mais outro, passam-me farinha na cara, sorri, não havia nada a fazer senão comemorar "happy songkran" , "happy new year".
Toda eu pingava, a minha roupa interior estava mais que encharcada. Encontrei-me com a Henriette e foi muita risada, uma animação completa que foi até de madrugada.. Foi difícil atravessar a multidão e pior foi não conseguir secar durante 18h. Estranho é que, enquanto numa parte da cidade estavam nestes festejos e nestas guerras de alegria, em todos os estabelecimentos comerciais que se encontravam abertos tinham a televisão ligada, as imagens da outra parte da cidade eram cada vez piores. A guerra não era de água , nem de alegria.
Mais uma vez, deparei, que por mais vezes que vá a esta cidade, nunca tenho dois dias iguais.




















Deixei a cidade e aparentemente estava pacifica.



Fui

Thursday, April 9, 2009

como prometido...

deixo-vos aqui alguns momentos do casamento judaico.

Wednesday, April 8, 2009

Amanhã:vou pr' aqui; prá terra desta gostosona.

Ensaio na Escola de Samba Águia


Reparem como se mexe esta morena de carapinha loira (rainha da bateria).

Monday, April 6, 2009

Tempo tempo, ainda falta tanto...

where are you?


Desde que cheguei o sol anda escondido. Os dias andam esbranquiçados, um nevoeiro, parece que não existe céu quanto mais sol.
Hoje ele quis espreitar, mas estava tão envergonhado que desistiu.
Onde anda essa energia primordial ? Onde? Vá lá, aparece por favor,
precisamos tanto de ti.

Sunday, April 5, 2009

Divergencias - On-line

A rede que traz descanso, tem stress, diverge em prantos. É como a
massa encefálica, conectada e desesperada para não parar do nada.
Transmissores-receptores-actores-ficção científica. Um outro corpo não
identificado nasceu!! Socorro!!! Inte-algumacoisa; micromole. Soft,
hard, encefálico-fálico:
insert-delete-insert-delete-insert-delete-insert-delete-insert-delete-insert-delete.
Incerto-decida. Nunca pare de bater coração, não pare de pulsar
pulso, não pare de pensar cérebro! Encefálico-fálico da TV, do mundo
lá do mundo cá, o da escolha.

Certoeerrado, bonitoefeio, bomemau, bememal. Nada, é.

O lá e o cá acabam, no efémero. No ciclo não há lá, o lá pode ser cá
se cá for lá e-vai-e-volta-e-vai-e-assim-vai. Mas sempre haverá o lá e
o cá, se assim vos chamamos. Mas talvez mais lás, leques
multicoloridos, escolhamos o que melhor combinar com a bolsa, talvez
lilás ou amarelo? Sempre no esse ou aquele em frente à encruzilhada.
Sempre um pelotão de fuzilamento a nos esperar.

Exércitos antagónicos atacam a província pó pensamento! Exércitos
poderosíssimos!! De um lado o grande amor comanda um pelotão da
alegria e com bombas pesadas de saudades. Do outro lado o trabalho
imprime passos largos para decidirmos!! Queres arroz e feijão ou
feijão com arroz?..

Mars

Friday, April 3, 2009

Still Macau by Night

Macau by night









Estava mesmo perra. Saio das aulas de yoga toda partida. Hoje experimentei uma aula de Hot Yoga, aquecedores no máximo, ambiente a ferver naquelas posições puxadíssimas estava a ver que desmaiava. Saí de lá a flutuar.
É engraçado yoga com uma professora chinesa e yoga com uma professora indiana.
A chinesa não se cala, sempre a falar em cantonense e muda de posição para posição, cheia de energia nem dá tempo para respirar , o que está incorrecto, a indiana fala calmamente e quando é necessário, dá tempo em cada posição para as respirações. And the winner is...tan tan tan tan...... Renu .Vou passar a frequentar as aulas da Indiana.

Thursday, April 2, 2009

Convite


Não me interessa qual é o teu modo de vida.
Quero saber o que anseias, e se ousas sonhar conhecer os desejos do teu coração.
Não me interessa que idade tens.
Quero saber se arriscas procurar que nem um louco o amor, os sonhos, a aventura de estar vivo.
Não me interessa saber quais os planetas que estão em quadratura com a tua lua.
Quero saber se tocaste o centro da tua própria dor, se estiveste aberto às traições da vida ou te encolheste e te fechaste com medo de outros sofrimentos! Quero saber se consegues sentar-te com a dor, a minha ou a tua, sem te mexeres para a esconder, disfarçar ou compor.
Quero saber se consegues viver a alegria, a minha ou a tua; se consegues dançar com loucura e deixar que o êxtase te encha até às pontas dos pés e das mãos sem nos advertires para termos cuidado, sermos realistas, ou nos relembrares as limitações de ser humano.
Não me interessa se a história que me contas é verdadeira.
Quero saber se consegues desapontar o outro para seres verdadeiro contigo mesmo; se consegues suportar a acusação de traição e não atraiçoares a tua própria alma.
Quero saber se consegues ser fiel e, por isso, digno de confiança. Quero saber se consegues ver beleza mesmo num dia não muito bonito, e se consegues alimentar a tua vida da presença de Deus. Quero saber se consegues viver com o erro, teu e meu, e mesmo assim ficar de pé à beira de um lago e gritar à Lua prateada, "Sim!"
Não me interessa onde vives nem quanto dinheiro tens.
Quero saber se, depois de uma noite de dor e desespero, exausto, dorido até ao tutano, consegues levantar-te e ocupares-te das necessidades das crianças.
Não me interessa quem és, como chegaste aqui.
Quero saber se permaneces no centro do fogo comigo sem te ires embora.
Não me interessa onde ou o quê ou com quem estudaste.
Quero saber o que te sustém interiormente quando tudo o mais cai à tua volta.
Quero saber se consegues estar só contigo mesmo; e se verdadeiramente gostas da companhia que tens nos momentos vazios.

O Convite, de Oriah Mountain Dreamer, escritora norte-americana, Maio, 1994

Trepar paredes!


Sim é isso, ando a trepar pelas paredes!! Desde que cheguei que ando num regime rigoroso, quer dizer, não é assim tão rigoroso, mas em comparação com o que andava a comer é uma grande diferença. Agora já me estou a acostumar á nova alimentação, até estranho o que é mais doce, gorduroso ou pesado. Mas as primeiras semanas não foram fáceis. Mesmo assim, confesso, ainda tenho tentações. Em três semanas já perdi dois quilos, preciso de mais umas oito semanas para chegar ao meu peso/volume ideal. O pior é pensar que tenho de agir sempre assim , daqui para a frente. Nos fim-de-semana dou-me liberdade de portal mal, beber e comer á vontade. A semana é de disciplina, muito exercício e uma boa alimentação, nada de fritos, nem gorduras, nem doces, apenas cozidos e grelhados, muitos vegetais e à noite sopinha e frutinha. Ah e chá verde também.
Por vezes não é nada fácil ter que ignorar os desejos desenfreados e resistir às tentaçõe

Wednesday, April 1, 2009

Dia das mentiras!


Não, não é isso, eu não me esqueci de pregar uma peta a alguém. Mas nos últimos anos não tenho andado inspirada. É que tenho ideia que este dia foi criado para que as pessoas quando tivessem vontade de mentir, que o fizessem num dia permitido para tal. Mas como tenho reparado que se mente tanto por todo o lado. São tantas as mentiras por aí, penso então este dia já não fazer sentido.

sim, está tudo muito presente ainda...

Já ando noutras leituras, mas as imagens que fabriquei na minha cabeça continuam a sobressaltar-me.
Os últimos três livros que li, coincidência ou não, descreviam histórias e vidas reais. Os três de escritores brasileiros, que por coincidência ou não também, retratavam realidades bem tristes, pesadas, difíceis, dramáticas.
Mexeram profundamente no meu íntimo. Sentir como para muitos o valor da vida humana é zero. Perceber como o ser humano consegue ser tão fraco de valores, ser tão egoísta, tão "filho da puta" na luta pelo poder e na luta pela sobrevivência assim como, encontrar forças poderosíssimas e resistir ao quase impossível.
E, continuar sem compreender como alguns têm a sorte repetidas vezes a bater-lhes á porta e outros tropeçam no azar numa vez só, o suficiente para um fim.
Cito aqui os três para quem tiver curiosidade em conhecer determinadas personagens tão bem retratadas, em se perder em tão boas descrições mas, tão tristes verdades.




Abusado, o dono do morro Dona Marta, é um relato do tráfico nos morros cariocas, de como "nascem" os traficantes e do relacionamento entre eles e a comunidade. O livro é uma reportagem escrita em forma de romance.
Caco Barcellos escreveu uma biografia sua, a partir de dados fornecidos pelo próprio bandido, e narrada em primeira pessoa, do ponto de vista dele. A obra dá detalhes sobre a história da Favela Santa Marta e do tráfico local, bem como do surgimento e funcionamento de facções criminosas da cidade do Rio de Janeiro, tais como o Comando Vermelho (ao qual Marcinho VP era ligado), Amigos dos Amigos e Terceiro Comando.
Segundo o livro, Marcinho VP queria largar o tráfico e sair da favela por uns tempos, mas não o fez por medo de que traficantes inimigos tomassem o Santa Marta. Ganhou notoriedade no Brasil após "autorizar" as filmagens do clipe de Michael Jackson no Santa Marta, nos anos 90. Na época, repórteres conseguiram entrevistá-lo, com a condição de que não revelassem segredos do tráfico. Essa entrevista causou grande repercussão, sendo um dos motivos que o fizeram entrar para a lista dos traficantes mais procurados pela polícia fluminense.
Por demonstrar preocupações sociais no seu discurso, ao contrário da grande maioria dos outros "chefões" do tráfico carioca, Marcinho VP acabou por se aproximar de intelectuais que passaram a encontrá-lo na clandestinidade.


Estação Carandiru (1999) é um livro do médico oncologista, professor e escritor Dráuzio Varella (1943).
O autor conta a sua experiência como médico voluntário, a partir de 1989, na Casa de Detenção de São Paulo, onde realiza atendimento em saúde, especialmente na prevenção do HIV. Conta o que ouviu dos presos ou o que presenciou e termina com um relato do [Massacre do Carandiru massacre de (1992)], quando foram assassinados cento e onze presos no "Pavilhão 9". O autor regista que, segundo os presos, foram mais de "...250 mortos, contados os que saíram feridos e nunca retornaram".
Foi adaptado para o cinema com o filme Carandiru.




Feliz ano velho é um livro de Marcelo Rubens Paiva lançado em 1982.
Trata da experiência autobiográfica do autor, que relata o acidente que o deixou tetraplégico depois de um mergulho num lago, após bater acidentalmente com a cabeça numa pedra. Mostra a dificuldade que muitas pessoas sofrem com essa situação e a força de vontade que um homem tem de se inserir novamente na sociedade, enfrentando os seus problemas e medos.