

















Praia, sol, mar, amigos, mochila, barcos, movimento, descontracção. Depois da primeira noitada na ilha de Hong Kong fiquei completamente arrasada, sinto que a minha pedalada está se a direccionar mais para a boa vida durante o dia, mais do que a vida de morcego que me arruína em todos os sentidos. Segundo dia, hora de ir para a praia, hum, boa, tudo fully booked , God...depois de centenas de telefonemas a tentar arranjar um lugar para dormir, nas ilhas ou em qualquer lugar em Hong Kong desistimos e foi o melhor que fizemos. Ficamos a dormir na praia, ai que coisa boa, como eu gosto de ser ciganita-
No inicio estávamos um pouco desconfortáveis, se chovesse estava tudo estragado, rezávamos para que os mosquitos não perturbassem, nem os cães, nem os búfalos, nem as aranhas nem o frio nem nada. Claro que a noite não foi de um sono profundo, mas foi tranquila e o melhor foi acordar às 6 da manhã, percorrer a praia deserta, saltar, respirar, ouvir o vento, ouvir o mar, sentir o sol e respirar maresia. Esse dia tive-o como um momento revitalizador, regenerador, relaxei, vivi aquele dia em plenitude a aspirar para que se estendesse no tempo. Curioso, é que senti que a minha felicidade, para alem de toda aquela harmonia do sentir, estava relacionada ao facto de ter o nosso improvisado lar por baixo daquelas árvores. Enquanto no inicio nos fez confusão não ter um tecto, não ter para onde ir, logo depois do desapego, é essa liberdade que ressalta. Claro que adoro pôr nestes termos porque sei que tenho sempre um tecto, um chão, uma conchinha acolhedora cheia de conforto e afecto.E quando se tem uma praia o problema fica resolvido. Porque já me aconteceu em viagens, não ter mesmo onde ficar pela mesma razão, por estar tudo cheio e aí tivemos que dormir no carro, uma outra vez no porto, uma outra na estação de comboios, outras vezes ter que desistir e mudar mesmo o destino.


Já de regresso recebemos a mensagem do alerta H1N1, que tinha chegado a Hong Kong. Mal saímos do barco começamos a ver imensas pessoas de máscara e em muitos sítios para alem da mascara também usavam luvas. Ao entrar no ferry começamos a perceber a dimensão da coisa, ou melhor a perceber que aqui não estão para brincadeiras, não se pode perder o controlo. No ferry tive vontade de tossir algumas vezes, respirei fundo para impedir a tosse, não fossem achar melhor deter-me para averiguações. Pensei, desgraçados daqueles que ficaram retidos no hotel, e que hoje passados quatro dias ainda lá estão, mas ainda bem que ficámos na praia, não fossemos parar a esse tal hotel.



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