
Chegou a hora de parar. Chegou o momento de recordar tudo o que foi vivido a correr. Agora a pausa. E calmamente, numa conversa, com aqueles que lhes tinha perdido o rastro nestes últimos quarto anos de muitas viagens, ou mesmo com aqueles que me têm acompanhado; ou nas arrumações, o agrupamento de todos os objectos, memorias, viagens, lugares; ou uma musica e outra, e mais outra que me transportam para os vários cantos do mundo. Uns sapatos, mais outros e mais e mais sapatos, que caminharam por esses caminhos fora. Um livro, um pensamento, agora sim, agora há tempo para recordar, agora há tempo para me libertar do que não faz falta, daquilo que está a mais, há tempo para a expansão do que foi interiorizado. Já não corro , saboreio de uma outra forma, de um sentir mais tranquilo. Dou cada passo bem devagar, mas sólido. Há quanto tempo não vivia esta paz, a de não ter data marcada de partir, nem de chegar. Agora é o tempo de estar aqui, de assentar o que foi vivido em fusão do que se está a viver. Sem duvida, que agora nas historias que vou contando, reparo que estes últimos anos de muitos capítulos, recheados de sons, paixões, cheiros, alegrias, tristezas, momentos, aventuras, lugares, povos, culturas, mudanças, surpresas, caminhadas; foram de grande experiencia, foram uma grande escola. Aprendi todas as lições? Não, mas vivi-as. Ah..e que delicia, a de ter amigos por tantos cantos do mundo, mas neste cantinho, aqui e agora, está a grande concentração deles, que sorte que se tem, com tantos amigos assim.


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