Tuesday, January 12, 2010

Pensamentos de um dia - imagens para quê?

Queres saber onde encontrar gajos giros, com pinta e tal, vai até á Decathlon ou ao ginásio. Reparei nisso, é interessante, realmente estão as duas associadas ao lazer, desporto, qualidade de vida.
Ainda não percebi muito bem porque é que novas ou velhas e intermédias, magras ou gordinhas, há uma grande tendência de andarem todas coladas e despidas nos ginásios. Não compreendo muito bem. Devo estar a ficar preconceituosa, não sei, mas sou mulher e incomoda-me, ver homens ou mulheres todos expostos na maquina da frente, ou no tapete do lado ou a passearem-se pelos corredores do ginásio de barrigas á mostra, rabos marcados e mamas a quererem saltar pelo top. Acho ridículo a sério que acho. Uma desconcentração, e somos obrigados a ter que ver esta malta a desfilar a sua flacidez , banhas ou músculos.Posso não ser exemplo que mais parece que vou de pijama, mas um pijama discreto. Depois outra coisa que tenho reparado, as Tias, as dondoncas ou as cotas chan chan, sei lá, chamem-lhes os que quiserem. Mas tenho reparado que elas andam de trol, é isso mesmo, levam um trol para o ginásio, tal é a produção. À hora de almoço os corredores mais parecem hora de ponta de um aeroporto. Não tenho paciência, será que estou chata e velha? Mas não tenho, nunca tive, quando estou numa aula, seja ela qual for ( de arte, agricultura, politica, costura, ginástica) para observações estúpidas, daquelas que servem apenas para preencher um silêncio, um vazio, há pessoas que ainda não perceberam que em certos momentos mais vale estarem caladas. Tira-me do sério. Ah.... e mulheres, ou homens, tanto faz, mas acho que é mais comum em mulheres, que realmente não têm noção da idade que têm ou do corpo que lhes veste. Mas bolas, claro que acho óptimo que as pessoas se sintam bem e não tenham complexos, se sintam livres, mas poupem os outros. Eu acho aberrações, ver mulheres disformes com maquilhagem exagerada, roupas coladas , rapo marcado, barriga à mostra, cabelos exageradamente trabalhados e cansados de tanta merda que já lhes fizeram, andarem assim a desfilar. Bom gosto, descrição e elegância são adjectivos difíceis de se usarem por aí. Bom, temos que começar a andar com umas palas nos olhos. Depois é a vida, Eu sei, faz parte da vida de todos nós e de cada um . A doença, a velhice, as desgraças, as dificuldades, o desemprego, a falta de guita. Porra! Eu sei que é a vida. Mas á alturas em que não consigo lidar com tudo isto. As pessoas de quem gostamos, quando não estão bem, óbvio que nos afecta profundamente. E claro que não quero virar as costas, impossível de o fazer e ainda bem. Mas é pesado. Os velhinhos da família a ficarem cada vez mais velhinhos, doentes, fracos. Cada vez a terem dias mais difíceis. Uma doença quando é grave e afecta alguém jovem, é terrível, ainda mais jovem pior ainda. Que merda, é sempre mau. È sempre terrível, ver o sofrimento dos que nos estão longe quanto mais daqueles que nos estão ligados. Sentir a morte por um fio. Se fosse pah, jas, já era. Pavorozo o choque , sofrem todos os que ficam, mas assim, é uma luta, a luta, a luta pela vida, a luta pela dor, o sofrimento, de quem está mal e de todos os que o rodeiam. É isso. Esta semana estou a viver tudo demasiadamente intensamente. Tudo, quer dizer, o lado negro da vida, o lado menos bom dela. Todos os dias, varias vezes lembro-me dos Haitianose fico mal, e claro, não faço a mínima o que é aquilo. Tenho uma ideia do que é aquilo. Consigo imaginar e é um sofrimento, sinto uma dor. Demasiado incomodo. Não vejo imagens, não preciso, a ideia do que é já me faz visualizar o cenário tão frágil e tão triste. Mas nem de sombras com a realidade do que realmente é. Só quando sentimos na pele é que é um verdadeiro sentir. Fico triste por eles, pela miséria, pela violência, pelo desrespeito, pelas injustiças que se espelham por todo o lado. india, Brasil, Angola, China, Portugal, Moçambique, Indonesia, Israel, Rússia, ......um infinito que enfia o carapuço por todo o lado..
Preocupo-me, e se fosse em Lisboa? Em segundos velozes passa-me pela cabeça ficar como muitas pessoas que têm passado por guerras, catástrofes. Ficar sem ninguém, sem amigos , sem família, sem casa, sem registos, sem emprego, sem dinheiro, apenas um só e a roupa que ficou colada no corpo. Alma ferida, e a saúde onde fica? Será que há espaço para o amor? Ao longo da história muitos, multidões, já passaram por isso em circunstancias diferentes. Espero nunca sequer saber ,o saber que é quando se sente ao passar por isso
Por vezes mesmo quando a intenção é boa, dizem-se, ouvem-se muitos disparates...aqui aplico o que tenho ouvido muitas vezes em relação a trabalho meu, comentários meus, atitudes minhas...” diz o essencial, retira o excesso..”
Talvez seja a ressaca de ter atingido o sexto mês no mesmo lugar, na mesma cidade, no mesmo país (dei uma fuga, cheia de sorte..). Talvez seja cansaço de tanta tentativa de viver na láláland, como defesa das coisas menos positivas desta grande casa a que chamamos mundo e da humanidade a que chamamos irmãos. Talvez seja um reacordar , um cair na consciência e de tão cansada de me auto criticar e comece qualquer coisa a se manifestar. Já vivi cheia de revolta, angustia, indignação, noutros tempos. Ouvi muitas vezes “ para quê? Não vais conseguir mudar o mundo”, mudar realmente não há uma so pessoa capaz de o fazer, ahhh mas sim, é possível mudar grande parte dele. Não quero mais viver alienada, fingir que não se passou ou que não acontece e ficar a ver. Quero me mover, mas mais do que me encontrar quero perceber o que posso fazer, quero agir.

Depois há uma coisa que realmente me deprime, ou me consome completamente, são os Hipermercados e as grandes superfícies em geral. A oferta exagerada, a luz branca, o movimento, o consumo, e a conta exorbitante no final, por uma quantia ridícula de alimentos, no caso dos hipermercados. Depois fico estúpida cada vez que ligo a televisão e vejo uma novela nova, não é possível que seja o programa com mais sucessos em Portugal. É isso, chora—se pelos dramas do mundo e a seguir esquecemos os nossos próprios dramas a ver a vida dos outros e as vidas imaginarias. Chego ao fim do dia e ainda me confronto com a minha realidade mais uma vez, é assim... há verdades que por mais que tentemos fugir delas, perseguem -nos. Ainda não percebi porque certas pessoas pedem outras em casamento fora de época, ou seja quando sabem que é quase certo que vai ser um não, porque não faz sentido nenhum que seja um sim. Não é que condene o desafio, mas porque á partida acho que o perguntam exactamente porque já é fora de cena e assim não se arriscam a ouvir um "SIM". Nunca repararam nisso? Pois, deve ser só comigo que acontecem dessas coisas. Porquê ? Porquê? Porque não antes? Talvez se tivesse sido antes teria chegado ao mesmo ponto que se chegou agora.

E fechei a televisão com esta frase “ este é o símbolo do infinito, significa o amor que eu sinto por você ,que é igualmente infinito”

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