









Torna-se difícil descrever muito do que senti, do que me emocionou, do que pensei, do que vivi.
Tudo o que escrever agora serão memórias construídas do que ficou. Mas posso referir que apesar da época das chuvas, o Cambodja encantou-me. O Vietname, não explorei muito, ficámos apenas de Ho chi min para sul, até à fronteira com o Cambodja, Ha Tien. Nunca tinha estado num sitio com tantas campas por quilometro quadrado. Á medida que percorríamos a estrada, as sepulturas eram elementos fortes da paisagem. Por todo o lado ainda estão bem presentes os resquícios de uma guerra que matou milhões durante 16 anos.


























Partimos de Ha Tien para Vinh Long. Viagem de camioneta durante seis horas, a passar sempre pelas aldeias dos canais do rio Mekong.














Em Vinh Long fomos dormir à ilha verde, numa casa de madeira sobre os canais. preparámos o jantar Vietnamita com a família da casa.
O dia foi de passeio de barco, de canoa, nos canais. Com visitas a alguma fabricas bem tradicionais, como a de tijolos e de doces.Pegámos ao colo a cobra mais pesada que alguma vez peguei. O fim de tarde foi a pedalar em bicicleta.





















Ho chi min é uma cidade inacreditável. Adorei, apesar do cansaço já se estar a apoderar de mim, combati e não parei de caminhar e de viver os momentos.








De Ho chi min despedimo-nos do Zack e da Mariela e regressamos a Bangkok para Calcutá. Eu tinha uma coisas a tratar nessa cidade então fiquei sozinha mais um dia e uma noite.
Adoro a comida tailandesa. Mas não consegui matar grandes saudades desta vez. As minhas indisposições constantes não me deixaram ter tentações.
A Tailândia está demasiadamente , mais do que nunca super hiper turística.




A chegada a Calcutá, aliás a partida de Bangkok. Eram 5am no aeroporto de Bangkok. Para não variar, já não dormia descansada há alguns dias. Quando no Chekin o funcionário me pede uma carta, um documento que supostamente ele achava que eu deveria ter. Digo repetidas vezes que apenas tenho o visto e que desconheço em absoluto tal carta. Ele teima comigo em que sem a carta não posso embarcar. Que não havia nada a fazer. Passei-me completamente e pensei este homem está louco e, uffa...ainda bem que ele estava mesmo. Pensou que ía seguir o destino final, o Botão. Incompetente não reparou no meu bilhete de avião que dizia Calcutá, Índia e não Botão. Enfim, cheios de desculpas e lá me deixaram seguir viagem.
Índia. Índia é de mais. Mal ponho o pé fora do aeroporto respiro o ambiente as pessoas, e sorrio e de mim para mim digo " Welcome to Índia"!
Os momentos que me lembro sempre bem de todas as vezes que chego a um lugar, é do trajecto do aeroporto até ao hotel. Aqui na Índia , essa viagem ainda é mais marcante. Das três vezes que visitei este pais, se há coisa que não esqueço é a primeira viagem de táxi, sempre. Os carros estilo inglês, parecem uma carroças velhas, o bafo, os deuses todos representados em penduricalhos no retrovisor e tablier, o cheiro a incenso intenso o sotaque inglês do indiano, as vistas da janela do carro, tantos contrastes, tanta cor, tudo tão diferente de tudo o resto.






Calcutá (Kolkata).
é uma cidade bonita, a minha primeira impressão foi achar que esta cidade até era civilizada comparada com muitas outras na Índia. Os cheiros intensos e a sujidade ainda me davam agonia. No final da tarde assistimos a uns cânticos hindus de chorar por mais. Ficamos no hostal Maria, lindo lindo. Em tudo se percebe que apesar de notar diferença, estar mais desenvolvida, Índia é sempre Índia. Apesar da globalização, aqui as tradições e costumes mantêm-se bem vividos.
A cidade foi fundada em 1690 pela Companhia Inglesa das Índias Orientais, tendo sido a capital da Índia britânica de 1833 a 1912. A economia de Calcutá entrou em declínio após a independência indiana, em 1947, embora tenha voltado a crescer a partir de 2000. A exemplo de outras grandes cidades de países em desenvolvimento, Calcutá apresenta problemas urbanísticos tais como pobreza, poluição, crime e congestão de tráfego


























Seguimos para Varanasi. A viagem de comboio de 12 horas, foi para mim de estranheza e desconforto absolutos. A estação lindíssima, pessoas deitadas por todos os cantos e centros, dormitavam enquanto esperavam pelo seu comboio. O comboio de carruagens sem fim, mais parecia uma prisão ambulante, sujo, cheiro forte, grades de ferro em todas as janelas, para que não entrem por elas. Pessoas deitadas nas camas uma em cima das outras e no chão, corredores, por baixo das camas. Eu cobri-me toda, por aqueles lados era a única gringa e demasiado branca para que pudesse passar despercebida. Durante a noite sempre que abria os olhos la via mais um velho a dormir ao meu lado mas no chão. Quando o fiscal aparecia lá corria com todos estes pobres que não aguentam mais de cansaço de carteira e barriga vazias.








Foi uma viagem, inacreditável, não comi, não bebi, nem tinha fome. Os cheios e as imagens cada vez me agoniavam mais. Em cada paragem um cheiro a excrementos na linha do comboio evadiam os compartimentos.
Quando chegámos a Varanasi apanhámos um riquechó que nos deixou nas ruas labirínticas da velha Varanasi. Andámos durante meia hora de mochilas ás costas com 40 graus. Entre multidões, bosta ,vacas, mais uma vez os cheiros intensos que se sobrepõem e misturam ao anterior. Transpirava, quase a desistir, caminhava ansiosamente em chegar ao hostal. Rezas, templos, incensos, cor e mais cor. Lembro –me de ter ficado parada a olhar para esta cena: uma rua estreitíssima, um monte de lixo e uma quantas montanhas de bosta. Duas vacas, uma senhora sentada (entre este cenário) no degrau, de mama de fora a dar de mamar a um recém-nascido, tudo isto, todos eles cobertos de moscas, o cheiro era pior que nunca. Pensei, realmente as realidades são mesmo outras.























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