
São tantas as ideias e os pensamentos que me ocorrem quando estou distante deste teclado. Quando me sento em frente a este monitor, correm-me milhentas imagens , frases , pensamentos distorcidos e confusos para acrescentar neste blog, no próximo post.
Parece que são infinitas as opções em que espremidas ficam um pó ralado sem contexto.
Depois há outra coisa. É que quando comecei este blog, escrevia para mim, ninguém , ou quase ninguém aqui espreitava. Sentia mais liberdade para escrever sem fronteiras o que me corria na alma. Cada dia que passa vou sabendo de mais pessoas que já passaram e continuam a passar por aqui. Mas se escrevia apenas para mim, porque não o fazia no papel? Porquê expor-me aqui num meio onde pode ser visto por todos? Cheguei à conclusão, se é que posso chegar a alguma, que há uns tempos atrás não tinha nada a esconder e que agora, há uns meses para cá sou atormentada por determinados pensamentos e julgamentos que me apetece expô-los de uma forma dura e crua. Preocupando-me assim em não querer ofender nem preocupar aqueles que me são mais queridos, engulo e fecho a sete chaves aquilo que poderiam ser explosões de dinamite. Estarei eu com mau feitio, a ficar mesquinha e intolerante? Ou serei eu uma critica aguçada e que só olha para o meu umbigo? Que não gosta de intrigas nem conflitos, mas que quando está perante eles não lhes vira as costas e vive-os intensamente. Pior, muito pior, é que grande parte desses conflitos, são interiores que se confrontam com o mundo lá fora. Acabei de decidir, enquanto escrevo, que vou criar um outro blog, este anónimo só para deitar para fora todas as porcarias que se acumulam cá dentro. Uma espécie de reciclador de ideias merdosas ou emoções fulminantes. Para que este, possa fluir mais saudável e o que não é despejado não fique a contaminar, a pesar a caixa desta memoria.
Bom já agora vou revelar parte do sonho desta última noite.
Estávamos, um grande grupo de amigos, numa bela casa de ferias em cima da praia. Quando a certa altura entra uma família qualquer, que nunca ninguém tinha visto, pela casa a dentro, instalam-se ao que reajo com alguma agressividade. Disseram-me que lhes apetecia e que tinham decidido ficarem ali ponto final, eu respondi, mas é que nem pensar, não foram convidados, não são bem vindos, fora daqui, ponto final paragrafo.
Entretanto, nessa mesma praia, estava a passear com a amiga Ana, eu andava com uns ténis e um boné que não eram meus, passamos por um jardim, onde estavam algumas crianças e idosos. Pedi a uma velhinha amiga que me emprestasse o cão dela para dar uma voltas, um passeio. Bom, no final da tarde na praia, já sem ténis nem boné, deitada na areia olho para a minha perna que tinha um alto enorme na canela, uma bola saliente, Entrei em pânico, em minutos velozes pensei: e se me tiram a perna sobreviverei? O que hei-de decidir? Com vida e sem perna, ou sem vida?
Quando regressei tinham desaparecido os ténis e o boné, fiquei em pânico porque nada era meu e teria que devolver aos respectivos donos. Mais à frente vejo uma banquinha, dois homens estavam a vender o que tinham conseguido roubar naquela tarde. Queriam-me vender os ténis, eu chorei, desatei a chorar, disse que não eram meus, precisava de devolve-los e que nem pensar que lhes ia pagar por uma coisa que me roubaram. Chorei berrei até que me venderam por uma pechincha. Nesta confusão o cão desaparecera. Ai a velhinha, o que vou dizer à senhora que me tinha feito um agrado e que com isso lhe perdera a sua única fiel companhia?! Estava cada vez mais desorientada, quando mais à frente descubro o cão em transformação, estava a transformar-se num homem com cara de mau. Não queria acreditar. E agora o que lhe vou dizer? Ela vai achar que estou louca, como é que ela irá reagir quando a levar ao pé do homem e lhe disser que aquele era o seu querido companheiro, o seu cão? Chorei, e depois não me lembro, acho que acordei no desespero.
Agora digam-me, isto devem ser pensamentos de uma mente perturbada. Cheguei a uma conclusão, parece que neste sonho tudo se relaciona com um sentido de posse, que apesar de nada me pertencer há uma certa noção de dívida e de poder. Bom, não sou psicanalista, nem vou perder mais tempo com isto, mas que é uma maradice lá isso é. Só há uma coisa que me descansa, é que costumo sonhar demais, sonhos hilariantes, e há muito tempo que não fazia ideia quais teriam sido os meus sonhos. Parece que agora vou recomeçar essa fase, a de viver a outra vida, aquela que não tenho o mínimo de qualquer controlo, a dos sonhos nocturnos.


1 comment:
Revelation dreams - Eureka
Fazem-nos acordar da dormencia e dos nós que mais ou menos inconscientemente se vao dando dentro na nossa (ir)realidade.
Dao inicio (despertam) a uma espécie de transiçao para uma outra abordagem. Fazem de algum modo as coisas ficarem mais claras e focar no que realmente é essencial.
Headmusic: "I Wonder" from Blind Melon
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