Friday, January 2, 2009

Rio



















O Rio o Rio, que cidade...que delicia, faz confusão pensar que esta cidade aparentemente tão relaxada, tranquila, seja uma das mais perigosas do planeta. As histórias de violência são muitas, são a toda a hora, a cada segundo.
Eu aqui aprendi a ter uma nova postura, eu ando sem nada, sem bolsinha, sem documentos, ando apenas com o dinheiro dentro dos bolsos, e o estilo? O mais descontraído possível, assim porque o clima e o ambiente requerem.
Depois o que é mais assustador é que é totalmente aleatório. Não há zona perigosa ou horário menos bom, ou ambientes que o indiquem. Quer dizer, até ha horários que podem ser bem piores que outros assim como as zonas, mas isso não basta. Nessas circunstancia pode mesmo nem acontecer nada e, numa rua movimentada até hora não problemática (isso não existe), levar um tiro à queima roupa. É pura sorte, ou neste e em muitos casos puro azar e claro violência a mais. Mas é das tais coisas estar há hora errada no local errado. Andei a pé pelas ruas da cidade, por vários bairros, nunca sozinha é claro. Quando pergunto a alguém e por ali é tranquilo? É tranquilo, mas vai atenta porque é uma zona bem perigosa. Ok. São dois significados que estão em realidades bem distintas pelo menos na minha realidade. Confesso que ficar numa paragem de ônibus ás quatro da manhã 15 minutos á espera do nosso numero, não me deixou nem um pouco tranquila, nessas horas, olho á volta e observo a quantidade de pessoas que circulam sozinhas, de carro, a pé. Sim, é isso, não , não é nada seguro, mas vai-se deixar de viver?Isso pode acontecer a qualquer segundo, então é não deixar de viver as coisas, e acreditar muito no nosso anjinho da guarda. Foi muito interessante conhecer o Rio de Janeiro. Porque é tão falado, tão visto, tantas imagens que são consumidas sem nunca se ter pisado. Então a sensação que tive foi a de ter entrado para dentro desses documentários, ou historias lidas, postais, filmes. Imagens que ganham vida, que são respiradas e sentidas a cada segundo. Como andava a ler o "Abusado" de Caco Barcellos que revela os bastidores da formação de uma quadrilha e as suas histórias de guerra, morte, prisões, fugas e traições. Conta a trajectória de Juliano VP – cognome de um traficante carioca conhecido –e os seus companheiros de geração. Abusado é uma reportagem que se lê como romance, mas é também um livro imprescindível para quem quer entender a lógica, os meandros e o modus operandi das grandes corporações criminosas que comandam o tráfico de drogas e outras actividades ilegais no Rio de Janeiro. Assistir a Tropa de Elite e ler o Abusado são dois documentos para sentir realmente a realidade do Rio e deixar de lado essa história de ser turista, que vê tudo e não enxergou nada.
O natal foi passado no Rio. Os dias de sol estavam magníficos, nunca me senti bem numa praia atulhada de gente, com tanto movimento e barulho, só mesmo em Ipanema. Ipanema, Leblon, Copacapana sem confusão é como se não tivessem alma. Aquela alegria, música, sol, caipirinhas, é o queijinho, é a batucada, é um sambinha. Em cada virar da esquina há festa, há um pezinho de dança. Uma cidade que não dorme, é a cidade das cores, da musica, dos contrastes. Em alguns bairros, quando caminhava á noite, por vezes ficava confusa, sentia-me na cidade do Porto e outras em Lisboa. É uma pena que se viva tão intensamente aqui, mas que para muitos a vida não tenha qualquer valor. Aniquilar o próximo é uma questão de Poder. Vivem-se as guerras de vídeo game e de cinema na vida real.









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