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Thursday, March 29, 2007

Ruínas da ilha...


Fiquei fascinada com tamanha beleza, que apesar de parcialmente destruída, degradada, miserável e muito suja, me transmitiu a nítida percepção da magnitude do passado. Cada lugar é mágico, capaz de nos transportar a antepassados, a vivências, que não conheci mas cujos cenários a imaginação tratou de completar.
Pelo facto de praticamente não existirem janelas nem portas, há a possibilidade de entrar e admirar estes novos espaços, casas que foram ocupadas pelos que se refugiaram da guerra e que por lá permaneceram.
Sem saneamento básico, sem infra-estruturas, há como que uma fusão óbvia entre o homem e o meio, uma analogia entre duas naturezas distintas. O homem na conquista da natureza num passado, e num presente a força desta a tomar poder no seu lugar.
Casas que foram casas e hoje são ruínas. Ruínas com átrios de terra e ervas daninhas, escadarias que não levam a lugar nenhum. Paredes descascadas, pondo a nu os diferentes materiais de construção – pedras, madeiras, areias, tintas. As paredes que ainda restam, expostas, com tinta que ainda sobrevive e que se mistura com os fungos da humidade dando lugar ao musgo que se vai instalando. As cores que se alteram com o clima originando tons contrastantes, frios e quentes, provocando dégradés de ocres, verdes, ferrugem, óxidos… As raízes das árvores conquistam o terreno, rompem o chão de mosaicos característico da época e desenvolvem-se como cogumelos.
Casas em que o telhado de origem, já destruído, foi substituído por copa de árvores. Casas apalaçadas, que hoje são jardins interiores a brotarem por todos os orifícios. Janelas e portas, que perderam a sua função, restam-nos como elementos decorativos.

bzzz...bzzzz...bzzz..




Tenho me lembrado muito da minha passagem por Moçambique, não sei porquê relaciono tanto Macau e Moçambique...quando conheci Maputo sentia Macau...não sei porquê, o clima os cheiros ,a arquitectura colonial apesar de em África o ritmo ser muito lento e aqui ser demasiado apressado..apesar dos locais de lá serem castenhos e de cabelo encaracolado e aqui serem amarelos e de cabelo liso e olhos rasgados...não, não é a população que relaciono...pois não têm nada em comum.....não sei...é o ambiente, o ar.....são sensações, emoções que transportam memórias de outros tempos e destes em que vou vivendo...
hoje de madrugada, de janela aberta, acordei a coçar-me toda estava a ser devorada por melgas....vá lá ! ao menos não transportam a malária só espero que também não carreguem o Dengue.

memórias de uma ilha..


Teve início numa passagem por Moçambique, mais propriamente na Ilha de Moçambique, que, pela sua riqueza histórica, arquitectónica e toda uma beleza mística, me despertou um forte interesse de exploração plástica.
A Ilha de Moçambique, com apenas 4km de costa, foi, durante 400 anos, o maior centro mercantil marítimo intercontinental, um porto de trocas comerciais na rota da Europa para o Indico, e de fortes influências arquitectónicas arábicas, indianas e portuguesas que se misturam. Este porto de abrigo foi considerado património mundial da UNESCO em 1991.
Mosquitos por toda a parte....cuidado com eles!!
Realço os insectos, mais especificamente os mosquitos porque, embora cerca de 70 por cento da população da ilha esteja infectada com o vírus HIV, a principal causa de morte aqui é a malária. Assim, um mosquito, de sua aparência insignificante, tem um estatuto enaltecido.

Saturday, March 24, 2007


Nesta procura compreensão pelo todo mais profundo, analiso e foco toda a minha atenção em tudo o que me envolve, desde a grande matéria ao mais ínfimo grão de areia da minha existência.