Monday, May 21, 2007

Como a história se repete.




- Quem inventou aquela coisa redonda que iria permitir que os objectos pesados pudessem ser mais facilmente movidos?

- Quem inventou a roda?

Para nós "... amarelinhos, amarelinhos como réstias de cebolas...." – resta-nos – "..... estarmos vivos, estarmos vivos – fomos feitos em ceroulas..."

A questão é esta, quantos Homens continuam hoje a inventar a roda....Quantos de nós continuamos a redescobrirmo-nos?

Quantas mulheres substituíram o peso na cabeça e nos ombros e inventaram – quase à revelia - qualquer coisa que lhes poupasse esse esforço.
Quantas delas se tornaram nas nossas bruxas queimadas porque ao ousar tinham que ser excluídas da sociedade.

Pode parecer estranho que a roda – essa coisa que os peritos estabelecem como o inicio do chamado progresso, tenha tanto a ver com a palavra, com o dizer, com estar e comunicar com os outros, com as nossas interrogações.

Ainda há quem pense que a palavra é apenas a fala.

A palavra foi e foi sempre o sentir. Nunca se disse nada sem se pensar naquilo que se ia dizer ou recusar conscientemente que as palavras tinham de ser cuspidas.

O silêncio é a prova provada de tudo isto.
A este propósito podemos contar a história sobre a origem da palavra canguru:

Está historicamente provado que quando Cook chegou à Austrália um dos membros da sua tripulação questionou um nativo australiano qual era o nome de um animal nunca até aí visto pelos Europeus.

O animal apoiava-se sobre as patas traseiras e a cauda, em posição erecta – e coisa esquisita para o séc. XVIII, tinha uma espécie de bolsa onde aninhava os filhos.
Perguntou então o inglês - Como se chama?!-

COMO SE CHAMA??!

O australiano respondeu naturalmente : - NÃO TE COMPREENDO!

Em australiano nativo isto pronuncia-se – KAN-GO-ROO - , daí que o nosso canguru, cujo nome ficou assim determinado universalmente só por falta de compreensão entre homens, tivesse sido desta maneira transmitido.

Ficam então as perguntas:

- Quantas rodas ainda hoje se inventam por génios que vivem nos nossos dias?!
- Quanta falta de comunicação permite que um génio não conheça a descoberta da roda?

-Quanta falta de comunicação transmite ideias que se não são opostas, pelo menos não correspondem ás perguntas feitas.
- Quantos de nós ao pormos estas perguntas as respondemos da mesma maneira.

Num mundo dito globalizado, ou seja harmonizado que tipo de sociedades fragmentadas estamos nós a construir?


[Todas estas banalidades nasceram de uma ressaca a propósito de uma travessia do deserto, dos nossos amores e desamores.]

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