Sunday, May 6, 2007

De dentro para fora









Fico fascinada com os recantos desta cidade. Se por um lado sinto claustrofobia neste espaço atulhado e reduzido cercado por fronteiras, por outro encanta-me a diversidade arquitectónica e os contrastes de culturas. Caminho por uma rua encontro um estilo muito próprio, viro a esquina e deparo-me com outro panorama completamente diferente, e é assim sistematicamente e compulsivamente, ao virar em cada rua, ao penetrar em cada fissura, largo, pátio, praça....e das coisas que mais gosto é entrar nos espaços que são de cada um.
Acho que de todos as cidades por onde andei, esta é daquelas que as casas que visito se diferenciam mais umas das outras.
Por fora, são prédios, na sua maioria gigantescos e que não se faz ideia do que está para o lado de lá das centenas, milhentas janelas que os compõem.
Cada espaço, é um mundo, um tesouro, uma alma cheia de vida.
O que mais me deslumbra são as vistas, o panorama recortado pelos rectângulos das janelas, é incrível como numa cidade tão pequena a paisagem nunca é igual, parece sempre que é uma outra.
Por exemplo a vista que tenho da minha casa é ampla, desafogada, arejada, mas pouco realista do que é Macau. è uma paisagem minimal, e assim como me transmite paz e sossego também me passa alguma monotonia, por ser uma paisagem parada, parece um postal, um clic momentâneo disparado da máquina, ficou em suspenso apenas vai sendo pincelada de aguarelas conforme a luz do dia e o tempo. É uma paisagem bonita, calma, serena mas artificial.
As vistas dos bairros antigos, como Porto Interior e Barra, ou mesmo Mariazinhas, são vistas que também diferem muito, consoante a direcção da janela, mas que em todas elas retratam muito o funcionalismo do bairro chinês. Sente-se a vida a fervilhar, em movimento constante, são precisas algumas horas para observar todos os pormenores da paisagem sem que os consigamos analisar todos. A multiplicidade de enquadramentos , um vum vum constante, fumos, vapores, cheiros e sons desiguais.
Da surpresa de cada interior preenchido à admiração dos diferentes quadros pintados , são sensações que vivo atentamente, registos que ficam na memória do que foi um dia, um momento.
Ah...e, por mais incrível que pareça, nestes blocos cheios de alminhas, ninguém incomoda outrem, a vizinhança é grande mas não existem interferências.



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