
São duas horas e meia de viagem...
Entrar no avião, sento-me.
E mais uns tantos encontrões e malas, carteiras que me batem na cabeça.
Está sempre um gelo aqui dentro.
Levantámos voo e nem dei por isso.
Não percebo como há quem tenha tanto medo de andar de avião. Uma mota, um carro ou um auto-carro em alguns sítios, são muito mais assustadores. Portugal não está excluído destes medos na estrada.
Entretanto o que está sentado no banco que fica depois do meu, está a limpar a orelha com uma “unhaca”, vai tão profundo e repetidamente. Depois de cada movimento da orelha, olha atentamente para a unha analisando o entranhado que conseguiu retirar.
Estão a servir qualquer coisa para comer. Não sei se vou conseguir, se ele não parar.
Parou. Oh não! Passou para a limpeza profunda do nariz. Faz o mesmo, mas agora nas narinas. Depois de observar larga ao chão. Bem que olho para baixo, para as linhas do livro. Mas não consigo que ele saia do meu campo de visão.
Passou-me pela cabeça começar a esfregar-me toda, meter os dedos pelas narinas acima, fazer bolinhas e atirar ao ar a fazer-lhe pontaria....talvez aí ele se desse conta.


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