Friday, October 31, 2008

A viagem e a chegada a Sampa



Bom, a viagem desta vez foi um pouco diferente. Pelo menos nos preparativos. Pela primeira vez, que me lembre, comecei a fazer a mala com dois dias de antecedência. Chegou o momento da partida e não foi preciso fazer nenhuma directa. As malas estavam prontas e organizadas, mentira á ultima da hora percebi que tinha quase 30 kg e comecei a deixar para trás algumas coisas. Ainda deu tempo de ir almoçar fora, e de aguardar com tempo no aeroporto. Tive mais uma vez a sorte, uma sorte daquelas..." sabe que está com peso a mais? o peso permitido são 20kg, toleramos até aos 21kg, a sua bagagem está com 27 kg!" – " ai não ! não me diga... e agora o que faço?" " desta vez passa, mas para a próxima já sabe" ufffa, não quis acreditar, que sorte e que alivio. Os meus níveis de adrenalina sobem de tal maneira cada vez que me dirijo a um check-in. Não é fácil a tarefa de escolher e trazer tudo, o essencial para uns longos meses bem longe de casa. Devia estar mais que habituada a este processo, mas não, a angustia é cada vez maior, de apenas levar comigo uns quilitos, já pensaram o que são 20kg??? Quase nada, se pensarmos, em livros, é para esquecer, sapatos, ai..quase nenhuns, roupa interior, produtos de higiene, esses ficam para arranjar no destino, e material para trabalhar, é para esquecer.. A sorte é que não é inverno aqui. O voo para Frankfurt foi uma bela merda. Eu que não tenho medo algum de andar de avião, fiquei um pouco tonta e só quando o avião estacionou descontrai um pouco. Sim porque depois de tanta turbulência, a aterragem mais parecia uma montanha russa com os carris a descarrilar.
Supostamente ia apanhar uma grande seca no aeroporto para apanhar o voo seguinte, cerca de duas horas. Mas naquele gigantesco aeroporto, que se poderia chamar "cidade do aeroporto", o tempo de sair de um avião, andar andar em esteiras rolantes e elevadores mais escadas, demorei quase duas horas até embarcar novamente. Nem me sentei.. Quando cheguei ao voo da Tam, foi muito engraçado, não sabia que língua falar. Na Alemanha e todos a falarem brasileiro, aeromoças (hospedeiras) e passageiros tudo em português do Brasil.
Aterrei, e como a hora local tinha alterado uns dias antes, dei a minha hora de chegada uma hora depois. Aterrei às 6am e disse que era ás 7am. Saí desejosa de abraçar o mais que tudo. Não estava. Não quis acreditar. Desloquei-me para uns orelhões(telefones públicos), não tinha cartões que funcionassem nem dinheiro local. Andava ás voltinhas com ar de coitadinha , cansada depois de 11 horas de voo, mais duas de caminhada, mais 3 de outro voo. Queria um abraço. Fui ter com um senhor e pedi-lhe para fazer uma chamada, porque não tinha como o fazer, o meu celular não estava a conectar. Bom, ele estranhou-me, não entendeu nada e recuou, encolhendo os ombros. Frágil, tão frágil que eu estava. Todos se dirigiam a mim a perguntar se desejava um táxi. Negava e dizia que precisava de uma chamada. As minhas lágrimas começaram a escorrer pela face, de beicinho caido, senti que tinha menos de 10 anos, a sensação foi a mesma de quando acabada de chegar a Macau me perdera no autocarro.
O senhor dirigiu-se a mim, muito educado " Está precisando de algo?"Em que posso ajudar?" – " pode sim. Preciso de fazer um telefonema e não consigo". Sou mesmo chorona. Lá fui a seguir o homem, de carrinho nas mãos cheio de bagagem, os olhos cheios de água. No orelhão disse o numero, ele marcou e ninguém atendia. "vamos tentar mais uma vez", nisto alguém se aproxima, de sorrisão, me abraça e diz " já vem chorando Ritshinha?!"
Agradeci ao senhor" obrigada, valeu heim"

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