




Ah pois é, estava a ver que não levantava voo, mesmo quando chegou á minha vez na alfandega, fecharam todas as passagens, o pessoal dos carimbos fez greve, estão no seu direito. Pelo o que ouvi, receberam os salários e deu em 300 reais, o equivalente a 100 euros, reclamavam por ser exploração, têm toda a razão, é inadmissível. Estavam a trabalhar há 18 horas seguidas muitos desistiram. Começou a acumular-se uma multidão de passageiros ansiosos por passar para apanhar o voo. Enquanto a policia federal não chegou eu comecei a desesperar. Porque depois deste voo tenho mais três, não não estão ligados entre si, ia ser uma complicação daquelas. Esta semana quase que vou apanhar um avião por dia, não tem muita graça-...
O avião, cheiros muitos cheiros se misturam no ar, eu esganada de fome. Desilusão com a Lufthansa, paga-se caríssimo por uma passagem e não dão as mínimas condições. Pois nada de apoio para os pés, o banco não descia muito para trás. Ecrãs individuais , nada disso. Uma televisão minúscula no corredor que mal conseguia ver. Filmes? cadê? Nada. Se bem que eu normalmente estou me a borrifar para a televisão. Gosto de ter o meu livro, a minha musica a minha almofada magica(aquelas de encher que ficam á volta do pescoço e todos me gozam porque dizem que é para velhas, eu quero lá saber, nunca vou sem ela para viagem nenhuma). Mantinha que me fazia alergia, e a merda do jantar que nunca mais vem..ah ok sumo de tomate com sal e pimenta, sempre dá para enganar o estômago. Passadas uma três hora de estarmos no ar, finalmente chega o jantar, acompanhado pelo vinho tinto que peço sempre, é o melhor remédio para cair para o lado de imediato. Os cheiros continuavam intensos, ás tantas já não sei se é cheiro a comida estragada, ou a gases libertados por alguns. A minha pele seca que é um horror. Passo grande parte do tempo a dormir, quando acordo entretenho-me de me besuntar de cremes por todo o lado. Grr odeio, até durmo profundamente, mas chateia-me acordar com a garganta toda seca e por mais agua que beba a secura não passa, depois não quero beber muita para não estar sempre a levantar-me para ir á casa de banho.
Cheguei a Frankfurt e realmente no avião já se sente a frieza dos alemães, aterramos, saí do avião e senti o frio que estava lá fora, eu de sandálias e blusinha.
Não sei se é burrice minha se é o facto de ser pouco prática e muito emotiva. Mas quando vejo o trajecto na televisão depois de atravessar todo o oceano passar por Portugal, imaginei largarem me de pára-quedas, melhor ainda um jacto passar paralelo e transferir as bagagens e os passageiros por uma mangueira de porta a porta dos aviões. Tive que andar mais três horas para a frente do meu destino, agora espero aqui no aeroporto mais três hora e a maior estupidez é que vou fazer esse trajecto para trás, mais três hora para ir para Lisboa, ah e bem pior é que amanha aqui estou eu outra vez, de Lisboa para Frankfurt, mais três horas e mais três horas de espera para apanhar outro avião, ou seja umas 15 horas inúteis que parece que ando a brincar neste jogo que não sai nada barato. Mas o que é certo , se tivesse optado ir directa daqui, depois deste voo de 11 horas e trinta, teria que esperar mais umas não sei quantas horas aqui no aeroporto e ficar mais 12 horas noutro voo, loucura também não?? sobrevoar a minha terra e não parar para fazer uma pausa e abraçar algumas daquelas pessoas que estão sempre a nossa espera, também não caía bem.

Então acabei por jantar em Lisboa e ainda deu tempo para estar com algumas pessoas. Afinal voei de Lisboa para Munique, onde almocei. Jantei no ar e no dia seguinte estava a jantar em Macau. Antes de entrar no avião para Hong kong ouvi no altifalante " last call for passengers to São Paulo", por segundos ainda pensei entrar nesse avião, claro que não podia, mas só uma hesitação.
Quando estávamos quase a aterrar a Hong Kong e acordo com o piloto a dar informações do aeroporto. Por segundos fiquei tão baralhada, pensei " mas qual é a paragem desta vez? qual aeroporto? onde raio é que vou aterrar agora?ah ok ...".
Saída do avião e mulheres com plaquinhas que diziam "transfer to Auckland" pensei
"ah, já que estou no embalo, agora até seguia mais umas dez horitas no ar".

Bom , eram oito da noite e estava em casa, Macau. Estava muito baralhada das ideias, passei quase cinco dias entre aeroportos e o céu.

Não queria acreditar que numa semana tinha almoçado em São Paulo num dia, noutro dormido na minha caminha de Lisboa e ainda na minha caminha de Macau num outro dia. Para os homens de negócios isto é "peanuts". é o pão nosso de cada dia, que confusão.



Mas assistir aos ambientes tão contrastantes dos aeroportos numa distancia fisica muito grande mas num espaço de tempo muito curto, foi uma experiencia muito engrançada, lá para o meio fiquei com vontade de continuar essa experienca por muito mais destinos e por muito mais tempo, que era a seguinte.
Dar a volta ao globo com muitas paragens e mudanças de destino, tanto de paises como continents, mas nunca poder sair do aeroporto, só passar as portas para sentir o cheiro do ar e o ambiente, mais nada. Não deve ter assim tanta graça, mas fiquei com muita vontade de o fazer ahahah.


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