Saturday, March 14, 2009

Ouro Preto, Lavras Novas e Congonhas



Não tenho parado muito quieta, é um facto. Este blog, está completamente desactualizado e as datas já nem correspondem aos acontecimentos.

A última semana no Brasil foi de grandes (in)decisões; Ir ou não ir. Se sim por onde, passar em Portugal ou não, quando, viagens...que desatino, não consigo ficar mais de cinco meses em algum lugar....
e foi assim, depois de muitas dúvidas, antecipei a viagem e vim até Macau.

Deixo aqui algumas imagens de Ouro Preto, quando chegámos "era a maior pegação" por todos os cantos e ruas. Estava cheio, era o ultimo dia de carnaval e realmente carnaval para a grande maioria no Brasil significa festa, sexo e pegar o maior numero de parceiros, enfim confesso que fiquei um pouco chocada pelo exagero da coisa. Os dias que se seguiram foram de muita tranquilidade, todos tinham regressado para as suas casas e assim tudo estava mais vazio, mais sossegado. Lá visitámos a mina do Chico Rei, A Mina que possui inúmeros corredores escavados na terra (80 Km² distribuídos em cinco andares), alguns tão baixos que obrigam o visitante a andar curvado, baixo e com lama, eu claro, dei uma queda que fiquei cheia de lama e toda esfolada. E foi quando saí da mina que recebi um telefonema que me deixou a pensar que deveria ir até Macau.
































A princípio, a mina pertenceu a uma família de portugueses, que eram donos de Chico Rei. O escravo chegou ao País em 1740, quando foi comprado pelo Major Augusto Góes para trabalhar na exploração do ouro. Recebeu tal nome porque era rei de uma tribo africana. Anos depois, o escravo conseguiu comprar a própria liberdade e a mina em que trabalhou.
Com o ouro que extraía do local, financiou a construção da Igreja de Santa Efigênia, além de alforriar outros escravos.
Num dos passeios pelas ruelas de Ouro Preto cruzou no nosso caminho um "poeta" viajante. Andava a viajar por minas, a percorrer a Estrada Real e a declamar os seus poemas para se dar a conhecer e sustentar a sua caminhada. Eis o poema que nos recitou:

"Elegia de um permanente

O que pode vir a ser a saudade?
Que dor constante é essa que tu sentes
De lembranças nostálgicas cantada por amantes.

A mulher doce dos olhos puros
Redimo-me ao teu tom efémero
Da noite tépida de putas tão tristes
Percebi que tu entre tantas outras deveria ser notada.

Essa é a vida árdua que andei e amadureci
Reconheci em mim as palavras dos homens.
Mas hoje não quero trilhar ou me encontrar
Prefiro permanecer, instalar em algo qualquer.

Procuro em vestidos encontrar a eternidade
No seio sensível arrumarei minha tenda
Pegarei jovens agnósticos da eterna busca
E direi a eles que suas entranhas
É a única satisfação, a única verdade.

Eu falo é de amor, do gosto dos grandes gemidos
Do teu coração que não pode ser arrancado de si
E assim com o vinho posai-vos nossos lábios
Como taças exageradas cheias de sede.

Permanecerei então assim estranhamente no ser embriagado
Nós não nascemos somente para morrer, amanhã preciso ser anjo."

Gustavo Santiago

Deixámos Ouro Preto e seguimos para Lavras Novas. Devo dizer que parece que fica no fim do mundo. Lavras é linda, pequena, com algumas cachoeiras. Situa-se no cimo das montanhas e fica longe de tudo. Para lá chegar tem que se percorrer uns quilómetros na estrada de terra.
Tivemos pena de não ficar mais tempo em Lavras mas os dias estavam contados.

























De lá fomos até Congonhas do campo, visitar o Santuário de Congonhas do Campo, onde estão a maior parte das esculturas barrocas do Aleijadinho. António Francisco Lisboa, mais conhecido como Aleijadinho, (Vila Rica, 29 de agosto de 1730 — Vila Rica, 18 de novembro de 1814) foi um escultor, entalhador, desenhista e arquiteto no Brasil colonial.
Com um estilo relacionado ao barroco e especialmente ao rococó, é considerado o maior expoente da arte colonial em Minas Gerais (muitas vezes chamado como barroco mineiro) e no Brasil colônia em geral. Toda sua obra foi realizada em Minas Gerais, especialmente nas cidades de Ouro Preto, Sabará, São João del-Rei e Congonhas do Campo. Os principais monumentos que contém suas obras são a Igreja de São Francisco de Assis de Ouro Preto e o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos. O Santuário de Bom Jesus de Matosinhos (é uma replica do santuario de Braga)é um conjunto arquitetônico e paisagístico formado por uma igreja, um adro com esculturas de Doze Profetas feitas por Aleijadinho e seis capelas com cenas da Paixão de Cristo. O santuário está localizado no morro do Maranhão, no município brasileiro de Congonhas, estado de Minas Gerais.

Tirado daqui:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Santuário_do_Bom_Jesus_de_Matosinhos
















De Congonhas seguimos para o Estado do Rio de Janeiro.

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