
Esta fase do processo está a deixar-me completamente esquisita...estou a chegar ao meu limite. Este trabalho com cadáveres e resina mete-me nojo, estou cada vez mais agoniada, o apetite foi-se!
Se começo a trabalhar com eles de manhã, não consigo almoçar, então opto por almoçar primeiro e depois tratá-los, mas durante a digestão só me apetece vomitar, náuseas e fico com uma expressão na cara que com certeza quem me vê mais nauseado fica.
Este cheiro a podre, pesado que se torna mais denso com este calor abafado e húmido.
Não quero ser fundamentalista, mas de facto aquilo que já me impressionava, agora tornou-se numa constante.
O meu organismo simplesmente rejeita, é mais forte do que eu.
Rejeito a carne, o que não acontecia, nos últimos anos cada vez comia menos , mas quando comia era com um prazer voraz. Apesar de gostar de peixe, o cheiro também me incomoda.
O massacre, a amputação, o sangue que escorre, os nervos expostos.....ahrg...
no outro dia puseram-me um bife no prato, um bom naco suculento, olhei-o de viés, observei bem, calmamente respirei fundo e....no momento de o cortar, os meus olhos fixados no movimento da serrilha rrrr...rrrr..rrr, não quero, não sou capaz! Não me apetece...
Em cada refeição lembro me do que ando a fazer e não consigo abstrair-me...estou envolvida de mais.....tudo se relaciona com o cheiro e com o que os olhos vêem e,
tudo isto e’ Sentir....


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