Andava cansada há umas semanas de tanto ruído e de tão pouco descanso, cansada de me embrenhar em demasia nos meus trabalhos.....à meia noite preparo-me para me ir deitar, cheia de dores no estômago da ansiedade de não estar a conseguir fazer nada de jeito.
Subitamente sou desafiada para ir até à ilha de Coloane admirar a lua cheia.
Por impulso digo logo "bora".
Que noite! Barbecue na praia de Hac-sá, onde o céu estava limpo e com todas as estrelas a brilharem.
Comi milho até ir embora, massarocas no churrasco, acompanhado de cerveja, aos poucos o estômago acalmava, era tudo falta de relaxe...às 3h da manha no regresso e ainda em Coloane há quem tenha a feliz ideia de ir "roubar" uma gaivota para passear na barragem, hum...hesitei por segundos e deps logo um sorriso se esboçou na minha face,..o caminho estava todo iluminado pela lua cheia de brilho, seguimos o trilho por entre a vegetação e as arvores e chegamos à ponte de madeira suspensa que nos ia levar ao posto onde o guarda das gaivotas dormia. A ponte rangia e balançava, tínhamos que ir muito devagarinho para não dar sinais ao guardião, pé ante pé, ok, já chegamos...agora temos que saltar os portões e tudo muito silenciosamente para não seremos apanhados. De repente uma rajada de vento bate nos toldos provocando um ruído que nos paralisou, "ufff...ah ..ok é o vento". Já está mais uma barreira ultrapassada. Próximo passo – chegar às gaivotas e soltar a corda de uma delas. E assim foi pedalamos na gaivota pela barragem, uma enorme estrela cadente atravessa o céu. Conversamos e rimos até o sol começar a espreitar. O guarda dormia tranquilo, acompanhado pelo som estridente das cigarras e dos grilos e os pássaros que comunicavam entre respostas nas várias direcções das montanhas.
O sol começou a subir, chegou a hora de devolver a gaivota, dar um nó na corda e juntá-la às restantes, o numero 11 portou-se bem. Pé ante pé deixamos o lugar. Depois de passar novamente a ponte, no trilho estava a sentir o poder de todos os sons musicais da natureza, nisto a olhar para cima, nem reparei que nos meus pés passeava uma serpente, só oiço " Rita!Uma COBRA uma COBRA!" calmamente parei e virei-me para trás, pois pensava que era brincadeira, mas não, a cobra estava mesmo a atravessar o meu caminho, ou eu o dela...parámos e ficamos a observar os seus movimentos , esguia e rápida andava por ali às voltas sem saber bem para onde ía.....continuámos....borboletas que batiam as asas alegremente ora aqui ora acolá....rãs e mais rãs, cada vez mais rãs, saltavam incansavelmente a apanhar as formigas voadoras que estavam nos seus últimos minutos de vida.
Paramos mais uma vez a contemplar aqueles momentos de National Geografic, os bichos estavam em êxtase.
Caminhámos até ao outro lado da barragem – Ilha do Lobo, um silencio que fazia ecoar o som dos pássaros, plantas, flores lilás , amarelas, laranja, brancas, violeta...e assim ficámos, parados a ouvir o vento em mais uma ponte de onde já não se via a Lua e o Sol era crescente.
No regresso para casa com os raios de sol a aquecerem, sorria, deitei-me como se estivesse a acordar do sonho que vivi, o sorriso esteve estampado durante todo o tempo ...... assim foi uma noite mágica com tudo isto mesmo aqui ao lado......os amigos estão cá para estas coisas!


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