Penso que o facto de me sentir alienada deve-se a tanta instabilidade. Os pés não param quietos por muito tempo no mesmo lugar. Mesmo quando parados a cabeça viaja. Eu toda em movimento. Cada vez que me lembro que dei inicio a 2008 em Xangai, na China, que depois disso ou desde então nunca mais parei. Comecei a temer que seria karma ou um desejo antigo e hoje alcançado. Este de não parar quieta e ver o mundo. Mas quando deparei que sem tecto fixo por muito tempo, nem na mesma cidade, nem em lugar nenhum, confesso que comecei a desejar parar um pouco. Perdi a conta de em quantos quartos morei em 2008. Comecei na China, depois percorri quase a Ásia toda, era suposto ir directa para a minha casa, o meu berço, Lisboa, mas nem isso aconteceu. Como se que por uma força maior de não poder ficar sossegada, parada num só cantinho. Percorri parte da Europa. Quando parei em Portugal, também as "minhas casas" e mudanças foram muitas. Aquilo que no inicio começou por ser uma brincadeira, a carochinha que anda com a casa ás costas, ou mesmo o caracol, começou a ser uma realidade inevitável. Hoje estou na América Latina, também não sei ao certo por quanto tempo, também nestes dois meses por aqui, já fiz e desfiz varias vezes a mala, já vi vários tectos.
O que me deixa intrigante por vezes é pensar que em 2007 não fazia ideia que o meu lar em 2008 ía ser a China e muito menos que o iria terminar no Brasil.
Agora paro para pensar e 2009 o que me espera? Com certeza o que eu planear para ele, não sei, nem sempre é bem assim..
Dúvidas, muitas dúvidas do que farei. Se ficar, se partir, mas para onde?
Enquanto tudo é incerto (sempre será), mas enquanto as incertezas assombrarem esta mente inquieta , alienada que não sabe onde está o Norte, vou deixar que essa agitação acalme e assim seguir ao sabor do vento, ir com a corrente da maré. Vou assim passear um pouco por este litoral. Desejar que Janeiro, o primeiro mês do ano, me traga o foco, me traga motivação para continuar neste vai e vem de coisas incríveis a acontecerem, neste não parar de emoções, vivências, sentimentos e bagagem cheia, não, cheia não, nem pesada, mas sim bem recheada de existências.


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