
Quem acaba de me conhecer pensa sempre "rica vida a tua...", "percebe-se com esse teu ar leve e despreocupado, livre e viajado que não deves trabalhar muito. Passas grande parte do tempo de férias", ou observações do género " não fazes nada, sabes é curtir".
Quem me começa a conhecer um pouco melhor, passa a mudar as palavras e os pensamentos a meu respeito, " bem tu andas sempre em movimento", "muito activa, sempre de projecto em projecto, tu não paras". "ah fazes isso? e aquilo? também isso e mais aquilo?".
Quem me conhece bem comenta "tu és imparável!, metes-te em tudo e mais alguma coisa, como é que consegues?""descansa, vai dormir, vai sair, vai passear...pára um bocadinho.."
Quem partilha casa comigo, vê o quanto eu trabalho, que quando começo tenho dificuldade em parar. Fico a produzir até cair para o lado e começo depois de tomar o pequeno almoço.
O meu irmão, que passou algum tempo a fazer alguns comentários, acerta altura só dizia " eu não compreendo, eu saio de manhãzinha e ela já está de volta das coisas dela, eu chego à noite e lá está ela, eu vou dormir e ela continua.." " Rita, vai te distrair, trabalhar de mais também não é bom..". Vivi estes últimos meses com a minha mãe e o João. A dada altura impressionados, diziam vai dormir, vai sair, não exageres. Agora aqui em casa da Henriette ela já comentou mais que uma vez " o quê passaste o tempo todo aqui fechada? Estás aqui há horas. Vai sair, não queres espairecer?", antes de ela dormir olhou para mim "uau, como é qué possível estás há cinco dias a trabalhar sem parar, vamos a uma festa na sexta. Como é que consegues ficar tanto tempo de volta disso?".
Pois, são realidades , tempos e trabalhos diferentes. É assim que funciono. Com as minhas altas e baixas de energia. Para mergulhar fundo naquilo que estou a fazer, preciso mesmo deste isolamento, desta dedicação. Chego a uma fase que me farto e só quero é descontrair, espairecer, viver, falar, rir, dançar, não ter horas, nem para dormir, nem para acordar. Não ter obrigações nem preocupações. Dou tudo por tudo porque espero sempre no final ser recompensada com um lugar ao sol, cumprir com aquilo a que me comprometi e no final ter as férias merecidas, que são gozadas ao máximo.
Durante algum tempo preocupava-me com esta minha forma de estar na vida. Ou 8 ou 80. Ser tão extremista, tanto para trabalhar como para gozar. Mas percebi que o meu equilíbrio está ai mesmo. Viver as coisas a 100% e não pela metade. Por isso quando é , é à séria!


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