Tuesday, February 26, 2008

Shanghai#21


Não tenho tempo para descrever como tenho e o que se tem passado nestes dias. Eles atropelam-se com as noites, tornando-os infindáveis e a mim alienada. Não sei ás quantas ando, que dia do mes, que dia da semana. Desde manhã bem cedo a trabalhar até as 4 da madrugada já a alguns dias. Ontem foi o desespero, bebi um café que me tirou a tranquilidade. Quando chego a esta fase do processo do trabalho, começam as minhas duvidas, as minhas crises, as minhas mágoas, as minhas criticas, as minhas inseguranças e acho que tudo o que faço é uma merda. O desespero é quando percebo que se o que estou a fazer não presta e, não sei fazer outra coisa. A minha auto-critica e perfeccionismo tiram-me a força, deitam-me a baixo, fico frustrada, arrasada. A minha energia pesada esta a atrair o meu pessimismo. Enquanto oiço gritos profundos de aflição e os pensamentos atropelam-se em sobressalto,com as palavras de Pessoa a ganharem força ;
"Não sou nada
Nunca serei nada
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Estou hoje vencido, como soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer."

respiro bem fundo, fecho os olhos e oiço o Marley a cantar na minha cabeça bem lá ao longe, "no, women no cry......" .." every little think is gonna be alright..."

Era uma da manhã e fui fazer uma massagem ao corpo todo, ao lado do estúdio. Estava a precisar desde sexta –feira. Amei, saí de lá com outra energia. É mais uma das coisas maravilhosas da Ásia, as massagens sem marcação, óptimas a baixo custo e espalhadas por todo o lado.

E no carrossel das minhas emoções , dou por mim entre a escuridão, a luz que brilha do alto, o fogo de artificio e a aragem serena.
O que eu nunca vou querer é perder esta capacidade que vou tendo de ver o mundo com cor e a facilidade de passar do choro ao riso.

No comments: