
As minhas aventuras continuam. Passei a manha irritada comigo. De fronteira em fronteira,põe mochilas, tira mochilas, entra no carro, sai do carro, tira mochilas põe mochilas,anda a pé, entra no barco tira as mochilas, dormir, chegar , acordar, põe mochilas, passa fronteira, tira mochilas, põe mochilas, auto-carro, tiras as mochilas, chegada ao aeroporto de Shenzhen, põe mochilas, checkin, tira mochilas..que merda!! nunca mais volto a fazer este disparate. Eu peso 53kg e tenho pouco mais de metro e meio de altura. O meu corpinho a carregar uma mochila de 78 cm a pesar 24kg de material, mais na parte da frente a carregar uma outra mochila de 10kg de peso em equipamento electrónico, mais a minha carteira de 6 kg ao ombro carregada de documentação, livros e diários de bordo, façam as contas!!!O volume em bagagem era maior do que o meu corpo, e o peso quase que chegava ao meu peso. Estava de língua de fora, irritada, a sentir-me ridícula e com os ombros e as costas a reclamarem, o meu coração disparava, proclamava ' quero descanso !'.
No check-in, quando vi o peso na balança assustei-me, vá lá não disseram nada, mas quando a mochila passou no RX chamaram-me lá para dentro. Quiseram revistar a mala toda, que merda merda merda!! Cheia de roupa em cima de mim, porque apesar do calor no sul, estava equipada para chegar ao frio de Xangai. Comecei a tirar dificilmente as coisas da mochila, estava tudo tão apertado e tão bem empacotado, cada vez ficava mais furiosa e transpirava, transpirava cada vez mais. Quiseram fazer testes com as tintas, depois com a cola, entretanto o meu frasco de compota de abóbora que a Nitz me tinha feito com todo o carinho, caiu ao chão e partiu-se. O segurança olhava para mim com um ar desconfiado, 'ah ah, acho que temos aqui uma potencial bombista'....bom não testou todas as tintas, visto ter uns quinze frascos grandes. Depois de fazer lá uns testes com algumas, realizou que aquilo era material, era tinta, nada mais. O que é certo é que se tivesse más intenções, entre aqueles frascos, como não testaram todos , podia ter um que fosse explosivo. Por isso, apesar de andarem muito atentos, penso que pode sempre escapar qualquer coisa.
Assim como na minha bagagem de mão, reparei depois , tinha mais que as 100g em líquidos e cremes autorizados. Mesmo assim, ninguém fez caso disso.
Ao principio achava graça com as minhas descargas eléctricas nos outros. Como por exemplo, quando estou a dar dinheiro ao taxista e a minha mão dá um choque na dele, assustado, claro, riso meio atrapalhado e recolhe a mão rapidamente enquanto olha para mim 'Ahíiah'. Em muitas outras situações, quando estou a entregar um documento, papel ou outra coisa a alguém lá dou mais uma descarga, afastam-se riem-se e despacham-me com uma rapidez, estilo epá foge para lá. Nos aeroportos a mesma coisa, enquanto subo para o 'pódio', passam com a maquineta dos metais, o que acontece sempre, não há uma única vez que não apite, a mulher levantou-me ligeiramente a camisola para ver o que estava a apitar, quando me tocou ligeiramente na barriga, teve um choque que até faísca e barulho fizeram, riu-se, afastou-se a enquanto olhava para mim, riu-se comentou qualquer coisa com as colegas e fez sinal para seguir, vai vai....
Mais duas horas a dormir no avião. Acordei no momento da aterragem com um solavanco que me assustou porque bati com a cabeça na janela.
Recebi uma chamada enquanto estava a sair do avião, a pedirem desculpas porque estavam atrasados para me irem buscar."estás muito carregada? porque se calhar...."
"estou, estou demasiado carregada, e não vou carregar este peso em cima de mim nem mais um metro, eu espero o tempo que for preciso..."
directamente para o circo, o carro ficou mal estacionado num sitio suspeito, escuro e com pouco movimento. A stressar, mas sem querer stressar os outros, estava deveras nervosa...com a quantidade de material que tinha no porta-bagagens. Com o computador e tudo o que ele guarda, por instantes comecei a entrar em pânico, a imaginar se me roubassem as malas, para alem do valor material, que esta ali muito investimento e quando eles me disseram, não te preocupes, o seguro cobre tudo, "hey, e o meu esforço, dedicação de anos de trabalho, todos os trabalhos , as impressões, todas as memorias registadas nas milhentas fotos que estão só ali?!"
"mas tens backup com certeza "......"ya, está lá dentro da mochila também"...passado uma hora foram mudar o carro do lugar para um mais seguro.
É que lembro-me bem, cerca de dois três anos atrás , fui com a Luanha até ao Porto, a João foi-nos buscar à estacão. Mochilas para a bagageira, fomos jantar e beber uns copos, quando regressamos ao jipe, simplesmente estava vazio, tinha desaparecido tudo.
já conto o episódio do circo não tarda... comecei a perceber que estava a chegar a um limite de cansaço...


1 comment:
Só de ler a descrição desta tua viagem fiquei cansada!!! És uma resistente, não há dúvidas ;) Enjoy your great journey!
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